Psicologia ao Minuto

"Pretrarca, a equipa que leva a saúde mental de porta em porta"

Pretrarca, um projeto que tem como objetivo “Prevenir e Tratar em Casa”, é uma iniciativa do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa que oferece acompanhamento domiciliar a pessoas com doenças psiquiátricas. Este programa, criado em 2010, surgiu como resposta à dificuldade de muites doentes em comparecer ao hospital para consultas e tratamentos, devido à sua condição de saúde e falta de suporte social.

Diariamente, uma equipa composta por enfermeires, assistentes sociais, médiques psiquiatras, psicológues e terapeutes ocupacionais, visita váries utentes que enfrentam dificuldades em reconhecer a própria doença, organizar e seguir o tratamento correspondente e isolamento social, garantindo assim a administração correta da medicação e a gestão de tarefas do dia a dia, como higiene pessoal e alimentação.

Como exemplo dessa boa ação, é apresentado o caso de uma utente de 80 anos que manifesta um quadro psicótico vincado, sempre desconfiada e insegura em relação a terceires. Desde o início do projeto que a doente recebe visitas semanais para auxiliar na toma da medicação e lhe é dado o apoio emocional necessário, fazendo com que esta se sinta mais segura e acompanhada.

A abordagem do programa foca-se no tratamento des doentes e, do mesmo modo, na sua reintegração social, o que ao longo dos anos apresentou resultados bastante favoráveis na redução de internamentos e na sua estabilidade, permitindo que vivam mais tempo em comunidade e evitem um agravar da sua condição

Para além do referido, esta iniciativa também colabora com outras instituições como a Santa Casa da Misericórdia para garantir suporte a pessoas em situação de sem-abrigo e outros casos vulneráveis, ajudando-as a obter medicação necessária e outros tipos de apoio.

Estudo nacional reporta a atualidade do bullying e do ciberbullying nas escolas Portuguesas

Durante a apresentação do Relatório do Grupo de Trabalho de Combate ao Bullying nas Escolas, foram apresentados os resultados de um inquérito nacional, que contou com a participação de 31 133 alunes, com idades entre os 11 e os 18 anos, a frequentar o Ensino Básico e o Ensino Secundário. Este inquérito integra um estudo realizado pelo ISPA, em colaboração com a Direção Geral de Educação (DGE), com o objetivo de caracterizar os comportamentos de bullying e ciberbullying nas escolas portuguesas.

O inquérito demonstrou que 5,9% des alunes reportaram já terem sido vitimizades, em algum momento. O estudo revelou também que o bullying e o ciberbullying são fenómenos coletivos, sendo possível que ês jovens experimentem os vários papéis (agressores, vítimas e testemunhas) ao longo dos anos. Foi possível compreender também que o ciberbullying aumenta com a idade, em reflexo do maior envolvimento des jovens com as plataformas digitais.

Os resultados do inquérito reforçam a urgência de uma abordagem integrada e sustentada, que considere os processos sociais dinâmicos envoltos nestas problemáticas. Durante a apresentação do Relatório foram apresentadas algumas medidas de médio-longo prazo que visam consolidar uma resposta de política pública mais eficaz, como a criação de equipas multidisciplinares, o reforço da formação des profissionais que contactam com ês jovens e o desenvolvimento e implementação de programas de prevenção escolar.

OPP publica um documento guia para o uso de psicadélicos em contexto terapêutico

A Ordem dos Psicólogos Portugueses publicou um documento intitulado “Psicadélicos e Saúde Mental – Definições, evidências e recomendações para psicólogos e psicólogas”, no qual partilha a evidência científica atual sobre a temática do uso de substâncias psicadélicas na prática profissional des Psicólogues.

O documento conta com a apresentação das substâncias psicadélicas usadas em terapia, os principais riscos a elas associados e a evidência científica atual sobre a psicoterapia assistida por estas substâncias, frisando os desafios éticos e de regulamentação desta prática.

A OPP expressa-se sobre esta temática sem se posicionar, demonstrando a motivação em informar ês psicólogues. Salienta, igualmente, a importância do trabalho multidisciplinar na investigação científica e na prática clínica com psicadélicos, referindo a importância do trabalho conjunto de Psicólogues, Médiques Psiquiatras, Farmacologistas, Enfermeires de Saúde Mental e especialistas em Bioética, que permitirá que estas intervenções possam ser utilizadas de forma segura e efetiva, nomeadamente em casos de pessoas que vivem com doença mental grave e resistente ao tratamento.

A Ordem dos Psicólogos Portugueses alerta que, até ao momento, terapias assistidas por psicadélicos são intervenções experimentais sob investigação, constituindo o documento publicado como um avanço para a partilha da evidência sobre o tema.

Portugal tem o pior resultado de saúde mental da OCDE

Segundo os dados do estudo Patient Reported Indicators Surveys (PaRIS), Portugal obteve o pior resultado entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) no que diz respeito à saúde mental. O inquérito, que envolveu mais de 12.000 pessoas e 91 centros de saúde no país, revelou que apenas 61% des portugueses avaliaram positivamente a sua saúde mental, um número inferior ao de outros países da OCDE. Estas percentagens significam que cerca de metade des inquirides considera ter um mau estar psicológico, o que nos coloca como o país com pior registo da OCDE.

O subdiretor-geral da Saúde Pública, André Peralta, reconheceu os desafios que o país enfrenta, mas destacou alguns pontos positivos nos cuidados prestados, entre eles, que 97% des utentes portugueses com duas ou mais doenças crónicas beneficiaram de uma abordagem multidisciplinar, um valor superior à média da OCDE (83%). Esse acompanhamento inclui não apenas médiques, mas também enfermeires e assistentes técniques, garantindo um seguimento mais completo da saúde des utentes. Do mesmo modo, outro ponto positivo onde Portugal se destaca é no tempo dedicado às consultas. Em Portugal, 86% das unidades de saúde oferecem consultas de seguimento com duração superior a 15 minutos, enquanto que na OCDE a média é de apenas 47%, tendo vários estudos enfatizado que este tempo extra, característico do nosso país, melhora a qualidade do atendimento e aumenta a confiança des utentes no sistema de saúde.

Assim, o estudo PaRIS evidencia desafios significativos na saúde mental e na perceção da qualidade de vida em Portugal, mas também aponta progressos importantes na organização dos cuidados de saúde, o que faz crescer uma esperança para que nos próximos anos o cenário a nível da saúde mental melhore.

Apenas sete em cada 100 pessoas no mundo recebem tratamento eficaz para a sua saúde mental ou perturbações relacionadas ao uso de substâncias.​

A nível global, apenas 6,9% das pessoas com perturbações mentais ou de uso de substâncias recebem um tratamento eficaz, de acordo com um estudo baseado nos inquéritos World Mental Health. Estes inquéritos, conduzidos entre 2001 e 2019 em 21 países, envolveram 56.927 adultos e analisaram a prevalência e o tratamento de nove perturbações de ansiedade, humor e uso de substâncias segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais IV (DSM-IV).

O principal obstáculo identificado foi a baixa perceção da necessidade de tratamento: apenas 46,5% das pessoas com perturbações reconheceram precisar de ajuda. Destas, somente 34,1% procuraram apoio no sistema de saúde. Embora 82,9% das que procuraram ajuda tenham recebido um tratamento minimamente adequado, apenas 47% beneficiaram efetivamente de um tratamento eficaz.

Os resultados evidenciam lacunas significativas na qualidade dos cuidados prestados e na continuidade do tratamento. Muites pacientes abandonam o percurso terapêutico após o primeiro contacto com o sistema de saúde, o que sublinha a necessidade de reforçar a formação dês profissionais de cuidados primários, garantindo que éstes estejam capacitades para diagnosticar e tratar casos leves a moderados e encaminhar os mais graves para especialistas. Além disso, o estudo sugere que os recursos gerais do sistema de saúde desempenham um papel mais relevante no acesso ao tratamento do que os recursos específicos para saúde mental.

Para colmatar estas falhas, torna-se essencial sensibilizar a população para a importância do tratamento, melhorar a formação dês profissionais de saúde e garantir uma transição mais eficaz entre o tratamento minimamente adequado e o tratamento efetivo. Assim, estes dados constituem uma base objetiva para orientar políticas de saúde e otimizar a alocação de recursos, assegurando um melhor suporte para aqueles que enfrentam perturbações mentais e de uso de substâncias.

 Para saber mais: https://www.sciencedaily.com/releases/2025/02/250205130928.htm

O maior estudo já feito sobre canábis e função cerebral encontra impacto na memória de trabalho

O maior estudo deste tipo já concluído examinou os efeitos do uso de canábis em mais de 1000 jovens adultes com idades entre 22 e 36 anos, usando tecnologia de imagem cerebral. Pesquisadores descobriram que 63% dos usuários pesados ​​de canábis ao longo da vida exibiram atividade cerebral reduzida durante uma tarefa de memória de trabalho, enquanto 68% dos usuários recentes demonstraram um impacto semelhante.

Este declínio na atividade cerebral foi associado a um pior desempenho na memória de trabalho — a capacidade de reter e usar informações para executar tarefas. Por exemplo, a memória de trabalho permite que uma pessoa siga instruções que acabou de receber ou visualize e manipule mentalmente informações, como resolver um problema de matemática.

“À medida que o uso de canábis continua a crescer globalmente, estudar os seus efeitos na saúde humana tornou-se cada vez mais importante. Ao fazê-lo, fornecemos uma compreensão cada vez  mais completa dos benefícios e riscos do uso desta substância, capacitando as pessoas a tomar decisões informadas e compreender completamente as potenciais consequências”, disse o primeiro autor do estudo, Joshua Gowin, professor assistente de radiologia na Escola de Medicina da Universidade do Colorado.

Neste estudo, consideraram-se usuários pesados ês jovens adultes que usaram canábis mais de 1000 vezes ao longo da vida. Ao mesmo tempo, ter usado de 10 a 999 vezes foi considerado um usuário moderado e menos de 10 vezes foi considerado um não usuário.

Estudaram a resposta neuronal dês participantes durante uma sessão de ressonância magnética (MRI) e deram-lhes sete tarefas cognitivas para completar (entre elas tarefas que testavam memória de trabalho, recompensa, emoção, linguagem e habilidades motoras).

Ês investigadores descobriram que a canábis teve um efeito estatisticamente significativo na função cerebral durante tarefas de memória de trabalho, nos dois grupos de usuários, tanto recentes como ao longo da vida. O impacto foi menos significativo para as outras tarefas. Durante as tarefas de memória de trabalho, percebeu-se que o uso pesado de canábis pareceu reduzir a atividade cerebral em certas áreas (córtex pré-frontal dorsolateral, córtex pré-frontal dorsomedial e ínsula anterior). Estas regiões do cérebro estão envolvidas em funções cognitivas relevantes, como a tomada de decisão, memória, atenção e processamento emocional.

Contudo, Gowin menciona que “as pessoas precisam de estar cientes da sua relação com a canábis, pois a abstinência abrupta pode também atrapalhar a cognição. Por exemplo, usuários pesados ​​podem precisar de ser mais cautelosos”. Acrescenta: “Ainda há muitas perguntas para as quais são precisas respostas sobre como a canábis afeta o cérebro. Estudos grandes e de longo prazo são necessários para entender se este uso altera diretamente a função cerebral, quanto tempo duram esses efeitos e o impacto nas diferentes faixas etárias.”

 Para saber mais: https://www.sciencedaily.com/releases/2025/01/250128123644.htm

Nova pesquisa destaca tendências nos diagnósticos de PDAH

Um estudo revelou tendências contrastantes nos diagnósticos de PDAH entre adolescentes e adultes. Nos anos de 2020 a 2023, houve um aumento significativo nos diagnósticos em adultes, enquanto a incidência entre adolescentes permaneceu estável desde 2018. A pesquisa destaca o impacto de fatores como mudanças nos critérios de diagnóstico e a pandemia de COVID-19. Uma investigação conduzida por uma equipa da Universidade de Saint Louis e da SSM Health revelou novas tendências nos diagnósticos de Perturbação de Défice de Atenção e Hiperatividade (PDAH) entre adolescentes e adultes, destacando um aumento significativo entre ês adultes de 2020 a 2023. O estudo, que analisou mais de 140.000 pacientes em quatro estados dos EUA, utilizou registos clínicos para identificar novos diagnósticos e determinar padrões ao longo do tempo.

Os resultados mostraram que a incidência de PDAH em adultes diminuiu de forma consistente entre 2016 e 2020, mas registou um aumento notável nos anos seguintes. Já entre os adolescentes, foi observada uma redução significativa na incidência entre 2016 e 2018, porém os números permaneceram estáveis entre 2018 e 2023. Segundo ês investigadores, estas variações podem ser explicadas por um conjunto de fatores, incluindo um maior reconhecimento e desestigmatização da PDAH, que leva a mais diagnósticos, bem como mudanças nos critérios de diagnóstico, como as introduzidas no DSM-5. Outros fatores, como práticas de avaliação e os impactos da pandemia de COVID-19, também podem ter contribuído para os padrões observados.

A PDAH é uma perturbação do neurodesenvolvimento caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade, que afeta a capacidade de uma pessoa realizar tarefas diárias na escola, no trabalho ou em casa. Apesar de ser frequentemente associada à infância, o estudo destaca que a PDAH também impacta adultos, sendo a sua prevalência nesta faixa etária ainda pouco explorada.

Assim, ês autores sugerem que estas descobertas podem orientar esforços futuros na identificação de fatores de risco modificáveis, na alocação de recursos adequados para tratamento e na redução de disparidades nos diagnósticos. Adicionalmente, enfatizam a importância de intervenções direcionadas que considerem tanto o contexto social como as mudanças nos critérios de avaliação.

Para saber mais visita: https://www.sciencedaily.com/releases/2025/01/250113134144.htm

O tamanho das pupilas no sono revela como o cérebro organiza memórias

   

Estudos realizados por uma equipa da Universidade de Cornell revelam um processo único de consolidação de memórias durante o sono. Utilizando ratos equipados com elétrodos cerebrais e câmaras de rastreamento ocular, o estudo mostrou de que forma o tamanho das pupilas reflete diferentes fases de armazenamento de memórias no sono não-REM.

Os resultados indicam que novas memórias são reativadas e consolidadas quando as pupilas estão contraídas. Em contraste, quando as pupilas estão dilatadas, o cérebro revisita memórias mais antigas, assegurando que o novo conhecimento não interfere com informações previamente armazenadas. Segundo ês investigadores, este ciclo de alternância – nova aprendizagem e conhecimento antigo – evita o “esquecimento catastrófico,” onde a consolidação de novas memórias poderia eliminar ou alterar memórias antigas. Durante o estudo, um grupo de ratos foi treinado em várias tarefas, como recolher recompensas num labirinto, e posteriormente monitorizado durante o sono. Ao interromper o sono dos ratos em diferentes momentos, a equipa confirmou que as pupilas contraídas coincidiam com a consolidação de tarefas aprendidas recentemente, enquanto o conhecimento anterior era preservado.

Esta descoberta pode ter implicações significativas na compreensão dos mecanismos de memória humana e no desenvolvimento de estratégias para melhorar a retenção de informações. Além disso, os resultados podem influenciar a forma como os cientistas treinam redes neurais artificiais, tornando-as mais eficientes na gestão de novos dados sem perder conhecimento já adquirido. O estudo foi apoiado por instituições como os National Institutes of Health, a Sloan Foundation e a Whitehall Foundation.

Para saber mais visita: https://www.sciencedaily.com/releases/2025/01/250101132020.htm

Abuso infantil afeta o desenvolvimento cerebral da geração seguinte

   Uma investigação liderada por uma equipa internacional de neurocientistas revelou novos indicadores sobre os efeitos do abuso infantil, tanto nas vítimas como nas suas gerações futuras. Este estudo baseou-se na análise de resultados de ressonâncias magnéticas cerebrais realizadas em 678 crianças, que permitiu identificar alterações significativas em áreas cerebrais cruciais para a regulação emocional e a resposta a estímulos externos.

Os resultados evidenciaram que as crianças cujas mães tinham um histórico de abuso infantil apresentavam mudanças no córtex pré-frontal e na amígdala, regiões fundamentais para a gestão de emoções e a perceção de ameaças. Estas alterações não estavam relacionadas com a experiência direta de abuso por parte das crianças, mas sim com os traumas vivenciados pelas mães, o que aponta para um processo de transmissão intergeracional.

De acordo com ês cientistas, estes fenómenos estão associados a mecanismos epigenéticos, isto é, modificações na expressão genética desencadeadas por experiências traumáticas, que podem ser transmitidas às gerações subsequentes sem alterações no código genético propriamente dito.

Estes achados reforçam a importância de políticas públicas que priorizem a prevenção do abuso infantil e o apoio às vítimas, visando minimizar os efeitos de longo prazo na saúde mental e no desenvolvimento cognitivo, não só dos envolvidos diretamente, mas também das gerações futuras.

Para saber mais visita:  https://www.jn.pt/1485396961/abuso-infantil-afeta-desenvolvimento-cerebral-da-geracao-seguinte/

Estudo sobre saúde mental nas Instituições de Ensino Superior (IES) Portuguesas

     O recente estudo da Associação Nacional de Estudantes de Psicologia (ANEP) em parceria com a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) expõe a preocupante realidade da saúde mental no ensino superior. Com uma amostra de 1.174 estudantes de 53 instituições, revelou-se que 39% apresentam sintomas psicológicos, variando entre níveis leves e extremamente severos. Além disso, 23% recorrem a medicação para gerir a sua saúde mental.

     Entre os fatores de maior risco destacam-se estudantes de licenciatura, mulheres e aqueles cujas instituições não oferecem Serviços de Saúde Mental e Bem-Estar (SSMBE). Apesar de 67% dês estudantes reconhecerem a existência destes serviços, 44% criticaram a divulgação insuficiente e 77% nunca os utilizaram.

     O impacto vai além da saúde mental: a autoeficácia académica foi identificada como preditora de 38% do desempenho académico, e estudantes de instituições com SSMBE apresentaram resultados significativamente melhores. Porém, 93% relataram sentir pressão académica ocasional ou frequente, e 63% admitiram desinteresse pelas aulas, ambos associados a uma maior sintomatologia psicológica.

     Este estudo reforça a necessidade de estratégias preventivas e inclusivas. Sugestões dês participantes incluem mais recursos humanos, maior divulgação e programas de apoio comunitário, como terapias de grupo, workshops de regulação emocional e mentorias.

Para saber mais visita: https://anep.pt/estudo-sobre-a-saude-mental-nas-ies/

A insónia dês estudantes universitáries está mais fortemente ligada à solidão do que ao tempo de tela

     Um recente estudo da Oregon State University revelou que a solidão afeta mais o sono dês estudantes universitáries do que o uso excessivo de ecrãs. Com 35% dês participantes a reportarem altos níveis de solidão, estes estudantes apresentaram o dobro da probabilidade de apresentar insónia clinicamente significativa em comparação com ês colegas menos solitáries. Embora o uso de dispositivos eletrónicos por mais de 8 a 10 horas diárias esteja associado a perturbações do sono, ês investigadores identificaram a solidão como o principal preditor, ligada ao aumento do stress e à ruminação.

     O estudo enfatiza que relações íntimas e fortes conexões sociais reduzem a solidão, promovem o bem-estar e melhoram a qualidade do sono. Ao mesmo tempo, a insónia é associada ao stress, ansiedade e menor desempenho académico, reforçando a necessidade de abordar a solidão como prioridade nas universidades. Assim, para promover um ambiente académico saudável, o combate à solidão é tão crucial quanto a gestão do tempo de tela.

Para saber mais: https://www.sciencedaily.com/releases/2024/12/241204145153.htm

Deixa a TV e lê um livro: um estudo revela as melhores ações para reduzir o risco de demência

            Ao avaliar os padrões de atividade de 24 horas de 397 adultes (com 60 anos ou mais), ês investigadores descobriram que o contexto, ou o tipo de atividade em que um indivíduo se envolve, é importante para a saúde cerebral. Em específico, descobriram que alguns comportamentos sedentários são melhores para as funções cognitivas do que outros.

           Aquando da análise de diferentes comportamentos sedentários, ês investigadores descobriram que atividades sociais ou mentalmente estimulantes, como ler, ouvir música, rezar, tocar um instrumento musical ou falar com outras pessoas, trazem benefícios para as habilidades de memória e de raciocino, ao contrário de atividades como ver TV ou jogar videojogos, que são prejudiciais para a saúde cerebral.

           “Já sabemos que a atividade física é um forte protetor contra o risco de demência, algo que deveria ser priorizado se se está a tentar melhorar a saúde cerebral. Mas, até agora, ainda não tínhamos explorado diretamente se a nossa saúde cerebral poderia ser beneficiada pela troca de um comportamento sedentário por outro,” diz Maddison Mellow, investigadore da UniSA (Universidade da Austrália do Sul).

           Mellow diz ainda que “descobrimos que comportamentos sedentários que promovem a estimulação mental ou a interação social – como ler ou conversar com amigues – são benéficos para a função cognitiva, ao passo que outros, como assistir TV ou jogar videojogos, têm um efeito negativo. Portanto, o tipo de atividade é importante. E, embora a mensagem ‘mova-se mais, sente-se menos’ seja, de facto, verdadeira para a saúde cardiometabólica e cerebral, a nossa pesquisa mostra que é necessária uma abordagem mais subtil no que toca a pensar sobre a ligação entre comportamentos sedentários e as funções cognitivas”.

Assim, com as férias de natal a chegar, ês investigadores aconselham a priorização de atividades de movimento que aumentem o ritmo cardíaco e das quais uma pessoa consiga desfrutar. No entanto, “se a pessoa está determinada a fazer uma maratona de filmes”, o ideal será procurar dividir esse tempo com algum tipo de atividade física, ou com uma atividade sedentária que envolva um nível maior de interação cognitiva.

 Para saber mais: https://www.sciencedaily.com/releases/2024/12/241216000444.htm

Crianças pequenas são menos propensas do que adultes a ver a discriminação como algo prejudicial

     Vivian Lu, investigadore por detrás do estudo, observa que “ao contrário dês adultes, as crianças nos EUA veem atos de discriminação como sendo mais permissíveis do que atos idênticos, mas motivados por razões diferentes. Esta visão da discriminação pode levar as próprias crianças a participar em atos discriminatórios, a serem menos passíveis de procurar ajuda quando são foco de discriminação, ou ainda a reduzir a sua força de vontade para intervir quando presenciam discriminação contra terceiros”.

     Por outro lado, o estudo apresenta também resultados otimistas, mostrando que, a partir dos oito anos de idade, as crianças começam a reconhecer a discriminação como algo mais nefasto quando é dirigida a certos grupos.

     Esta investigação foi composta por quatro estudos, dos quais fizeram parte cerca de 600 crianças (com idades entre os 4 e os 9 anos) e mais de 600 adultes dos EUA. Ês investigadores apresentaram aes participantes cenários que envolviam atos malignos entre membros de diferentes  grupos hipotéticos (círculos e quadrados, por exemplo), comparando situações nas quais alguém era mal tratade por causa do seu grupo (discriminação) com situações em que era mal tratade por outras razões (pessoais).

     De um modo geral, as crianças, comparativamente aes adultes, identificaram atos discriminatórios como sendo menos sérios do que atos motivados por razões pessoais. Para além disso, o estudo também observou que, enquanto que ês adultes viam a discriminação contra grupos indispensáveis (aqueles que equivalem ao género ou à raça) como mais séria do que a discriminação contra grupos temporários (ex.: equipas de desporto), as crianças não fizeram essa distinção.

     Andrei Cimpian, docente do Departamento de Psicologia da Universidade de Nova Iorque, conclui que “compreender em que medida é que a visão das crianças sobre a discriminação varia da dês adultes é algo essencial para o desenvolvimento de estratégias que as ajudem a reconhecer e a resistir a comportamentos discriminatórios numa fase tenra do seu desenvolvimento”

Para saber mais: https://www.sciencedaily.com/releases/2024/12/241210115609.htm

Estudo revela que memórias não são armazenadas somente no cérebro

Pesquisas indicam que células de tecidos renais e nervosos também conseguem aprender e formar memórias, refutando a ideia de que apenas neurónios desempenham essa função. Esta descoberta pode aprofundar a compreensão sobre os mecanismos da memória e contribuir para tratamentos de problemas cognitivos.

Estudos realizados por uma equipa da Universidade de Nova Iorque, dirigida por Nikolay V. Kukushkin, e publicados na revista Nature Communications, revelam que células fora do cérebro têm capacidade de aprendizagem e memória semelhante à dos neurónios. A pesquisa centrou-se em compreender se células não cerebrais, como as de tecido nervoso e renal, poderiam exibir propriedades relacionadas à memória, condicionando o entendimento tradicional de que apenas o cérebro detém essa capacidade.

A origem do estudo assenta num conceito conhecido como efeito de espaçamento, isto é, a aprendizagem é mais eficaz quando distribuída em intervalos em vez de ser concentrada numa única sessão intensiva. Durante a pesquisa, ês cientistes expuseram células não cerebrais a padrões de sinais químicos que simulavam a ação de neurotransmissores durante a aprendizagem. Os resultados mostraram que as células responderam através da ativação de um “gene de memória”, idêntico ao processo observado nos neurónios.

A observação deste comportamento foi possível devido à modificação genética das células para produzir uma proteína fluorescente, que indicava a ativação do gene de memória. Por outras palavras, as células não cerebrais reconheciam a repetição dos estímulos em intervalos espaçados, ativando o gene de memória de forma mais intensa e prolongada do que quando os estímulos eram contínuos e sem pausas.

Kukushkin explicou que “a capacidade de aprendizagem com repetição espaçada pode ser uma característica fundamental de todas as células, não apenas dos neurónios”. Assim sendo, órgãos como o pâncreas podem desempenhar outras funções, como relembrar padrões alimentares para regular a glicose.

Estas investigações representam um avanço significativo na neurociência e desafiam a visão tradicional do armazenamento de memórias, sugerindo que o corpo humano pode ter capacidades cognitivas distribuídas por diferentes tipos de células e que pode ser possível compreender o comportamento de células cancerosas durante a quimioterapia.

Exposição a determinadas fontes de poluição do ar é prejudicial na aprendizagem e memória das crianças

Um estudo da Universidade do Sul da Califórnia (USC) que envolveu 8500 crianças mostra que a exposição ao nitrato de amónio, componente de partículas finas presente na poluição do ar, está associada a um desempenho inferior na aprendizagem e memória de crianças de 9 e 10 anos. Os resultados sugerem impactos neurocognitivos ao longo da vida.

Investigadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC) publicaram um estudo na Environmental Health Perspectives que associa a exposição ao nitrato de amónio, um componente das partículas finas de poluição (PM2.5), ao fraco desempenho cognitivo em crianças. Este componente, resultante da combinação de gás amoníaco de emissões agrícolas e ácido nítrico da combustão de combustíveis fósseis, tem correlações elevadas de riscos de Alzheimer e demência em adultos, levantando preocupações sobre os seus efeitos ao longo da vida.

A professora Megan Herting, autora sénior do estudo e especialista em ciências da população e saúde pública na Escola de Medicina Keck da USC, e a sua equipa, têm trabalhado com dados do Adolescent Brain Cognitive Development Study (ABCD), o maior estudo sobre o cérebro nos EUA, para explorar como a PM2.5 pode influenciar a cognição. A PM2.5 é composta por partículas menores que 2,5 micrómetros, que podem penetrar nos pulmões, entrar na corrente sanguínea e atravessar a barreira hematoencefálica, causando potenciais problemas de saúde.

Num estudo de 2020, Herting, juntamente com colegas, analisaram a PM2.5 de forma geral e não encontraram uma ligação clara com o desempenho cognitivo infantil. Contudo, nesta investigação mais recente, foram utilizadas técnicas estatísticas para examinar 15 componentes químicos específicos da PM2.5, identificando o nitrato de amónio como um fator-chave.

“Independentemente da análise isolada ou combinada com outros poluentes, as partículas de nitrato de amónio estavam consistentemente associadas a uma aprendizagem e memória mais fracas”, explicou Herting. “Isto indica que, embora a PM2.5 seja uma preocupação, os seus efeitos sobre a cognição dependem da composição específica da poluição a que as crianças são expostas.”

Este estudo enfatiza a necessidade de políticas mais direcionadas para mitigar a exposição a componentes específicos da poluição e reforça a importância de proteger as crianças de ambientes prejudiciais para o desenvolvimento cognitivo. Assim sendo, os investigadores pretendem realizar um novo projeto, com o foco de analisar como estas misturas e fontes podem corresponder a diferenças individuais nos fenótipos cerebrais durante o desenvolvimento infantil e adolescente.

Sonolência durante o dia pode estar associada à síndrome de pré-demência

De acordo com um novo estudo, idosos que sentem sono durante o dia ou não têm entusiasmo para realizar atividades em consequência de problemas de sono, têm maior probabilidade de desenvolver uma síndrome que leve à demência.

            Um estudo recente constatou que pessoas que sentem uma sonolência excessiva durante o dia e uma falta de entusiasmo para realizar tarefas tinham maior probabilidade de desenvolver síndromes do que pessoas sem problemas relacionados ao sono. A investigação não prova que estes problemas estão associados ao sono, apenas mostra esta associação.

            Foram analisadas 445 pessoas, com uma idade média de 76 anos, que não padeciam de qualquer demência. Realizaram questionários relativos ao sono e problemas de memória  e foram ainda testados no que toca à sua velocidade numa passadeira ao longo do estudo.

            De forma a avaliar o sono, realizaram-se perguntas sobre a frequência com que as pessoas tinham tido problemas para dormir, se não conseguiam adormecer em 30 minutos ou se tomavam medicamentos para as auxiliar a dormir. Em relação à sonolência excessiva, as questões abordaram a frequência com que tinham ocorrido problemas para se manterem acordados durante a preparação de refeições, condução ou em atividades sociais. Por último, sobre o entusiasmo questionava-se o quanto as pessoas tinham problemas para mantê-lo o suficiente na realização de tarefas. Cerca de 177 pessoas coincidiam com a definição de pessoas que dormiam mal, enquanto que 268 à definição de pessoas que dormiam bem.

            Os resultados do estudo verificaram que das pessoas com sonolência excessiva durante o dia e falta de entusiasmo, 35,5% desenvolveram uma síndrome de pré-demência, em comparação com 6,7% das pessoas sem esses problemas, e concluíram que existe três vezes mais probabilidade de desenvolver este género de síndromes.

            Ainda assim, ês investigadores realçaram que outros fatores poderão ter contribuído para o risco de desenvolvimento da síndrome, como por exemplo, a idade, depressão e outras condições de saúde.