Dias Importantes

A Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) é uma condição neurodesenvolvimental que se manifesta desde a infância, afetando a comunicação social, o comportamento e a perceção sensorial. Segundo o DSM-5, a PEA manifesta-se em dificuldades de comunicação e na interação intrapessoal; comportamentos estereotipados e interesses restritos (Lord et al., 2020 ).
Esta perturbação interfere no modo como o cérebro processa informações, influenciando a organização das células nervosas e das sinapses (Cardoso, 2019).
A investigação nesta área tem-se focado maioritariamente na compreensão e diagnóstico da PEA em crianças e adolescentes, o que levou a resultados muito significativos para esses grupos, mas a uma estagnação da investigação em faixas etárias acima (Fairbank, 2023)
Sabemos que a transição para a adultícia é um processo repleto de desafios para ês adolescentes e para as suas famílias, e que para adolescentes que padecem da PEA, estes desafios são ainda maiores. Regra geral, esta transição não acontece com grandes taxas de sucesso, sendo comum maiores taxas de desemprego, menor frequência no ensino superior e maior dependência de terceires (Thompson et al., 2018).
A psicologia desempenha um papel fundamental no apoio a pessoas com Perturbação do Espetro do Autismo (PEA), visto que ajuda a melhorar a qualidade de vida destas pessoas.
A intervenção pode incluir metodologias específicas ou programas, adaptados às necessidades de cada indivíduo, assim como abordagens multidisciplinares que envolvem uma equipa de profissionais, como psicólogues, terapeutas da fala, psicomotricistas e pediatras do neurodesenvolvimento, com o objetivo de atender às necessidades de cada indivíduo. A intervenção psicológica foca-se na aprendizagem de competências que ajudam a diminuir os défices da PEA, assim como a sintomatologia associada (CRIAP, n.d.).
Prevalecem ainda alguns mitos sobre a PEA, como o de que “o autismo é causado por vacinas”, não existindo nenhuma evidência científica que comprove que as vacinas causam PEA. Esse mito surgiu de um estudo desacreditado publicado em 1998, que mais tarde foi retratado e desmentido. As vacinas são seguras e vitais para a saúde pública e não desempenham nenhum papel no desenvolvimento de autismo, sendo este uma condição neurobiológica, com fatores genéticos e ambientais (CDC, 2024).
Outro mito associado à PEA é o de que “O autismo tem cura”. Não há cura para o autismo, pois é uma condição neurobiológica permanente. No entanto, com intervenções e apoio adequados, muitas pessoas com autismo podem melhorar as suas habilidades sociais, comunicativas e de vida diária. O objetivo do tratamento é ajudar a pessoa a alcançar o seu máximo potencial, proporcionando-lhe as ferramentas necessárias para navegar no mundo à sua volta (Research and Eugenics | Autism Speaks, 2021)
É cada vez mais importante e urgente sensibilizar para a consciencialização sobre o autismo, de modo a promover a inclusão, reduzir o estigma e garantir que pessoas autistas tenham acesso a oportunidades justas na sociedade. A inclusão educativa é algo que caminha nesse sentido uma vez que procura garantir que a comunidade estudantil tenha igualdade no acesso à educação, independentemente das suas diferenças (CRIAP, n.d.).
No entanto, a responsabilidade não cabe apenas à educação, mas também à sociedade como um todo, que desempenha um papel estrutural ao promover a aceitação, o respeito e a valorização da diversidade.
Nessa perspectiva, iniciativas de sensibilização, campanhas de informação e a criação de espaços inclusivos, são medidas imprescindíveis para assegurar que pessoas com PEA sejam plenamente integradas em todos os aspetos da vida social, cultural e profissional (CRIAP, n.d.).
*Sugestão de vídeo: https://youtu.be/AS_w0fiMQgc *- Aconselhamos-te a ouvir esta TEDTalk de Joe Santos, pai da Caui Ferreira e marido da Sara Antunes, que fundaram a comunidade Vencer Autismo (Sobre Nós – Vencer Autismo, 2023).

Ao longo da história, diversas populações foram marginalizadas com base na sua etnia ou cor de pele, sofrendo exclusão social, económica e política. Hoje, apesar dos avanços significativos em matéria de direitos humanos, a discriminação racial continua presente, tanto de forma explícita como através de sistemas e estruturas que perpetuam desigualdades.
O racismo pode manifestar-se de muitas formas, desde actos de violência e discursos de ódio até formas mais subtis, como a falta de oportunidades de emprego, educação e habitação para determinados grupos raciais. Muitas vezes, esta discriminação não é apenas individual, mas estrutural, estando enraizada nas instituições e nas políticas públicas de vários países. Por exemplo, em muitos locais do mundo, pessoas de grupos racializados continuam a ter menor acesso a serviços de saúde de qualidade, enfrentam barreiras no mercado de trabalho e estão sub-representadas em cargos de decisão e poder. Além disso, o racismo pode ter um impacto psicológico profundo, afetando a autoestima, o bem-estar e a qualidade de vida das vítimas.
O combate ao racismo passa, em grande medida, pela educação e sensibilização. Ensinar sobre a diversidade, a história da discriminação racial e os direitos humanos é essencial para desconstruir preconceitos e promover uma sociedade mais justa. As escolas, as famílias, os meios de comunicação e as redes sociais desempenham um papel fundamental na formação de consciências mais inclusivas.
Além disso, a representatividade é crucial: é necessário garantir que todas as comunidades tenham voz e visibilidade em diferentes áreas da sociedade, incluindo na política, nos media, na cultura e no desporto. A inclusão de diferentes perspetivas e experiências contribui para uma sociedade mais rica e igualitária.
O Dia Internacional da Luta contra a Discriminação Racial não deve ser apenas uma data simbólica, mas sim um momento de reflexão e ação. A luta contra o racismo não é apenas responsabilidade de quem sofre discriminação, mas sim de toda a sociedade.
Governos, instituições e organizações devem implementar políticas eficazes para erradicar a desigualdade racial, garantindo que as leis contra a discriminação sejam realmente aplicadas. Ao mesmo tempo, cada indivíduo pode fazer a diferença ao denunciar situações de racismo, ao educar-se sobre o tema e ao promover a igualdade no seu dia a dia.
Construir um mundo sem discriminação racial é uma missão coletiva. Cada passo conta, e cada voz é importante. Juntos, podemos fazer a diferença e criar um futuro onde todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades, independentemente da sua cor de pele ou origem.
O combate ao racismo é uma luta de todos – não apenas no dia 21 de Março, mas todos os dias do ano.

O Dia Internacional da Mulher é comemorado, anualmente, a 8 de março. A primeira celebração do Dia Nacional da Mulher deu-se a 28 de fevereiro de 1909, data em que o então ativo Partido Socialista da América faz homenagem às 15 mil mulheres que protestaram em Nova Iorque contra condições de trabalho duras e salários mais baixos do que os dos seus colegas masculinos. No entanto, apenas em 1975 é que as Nações Unidas começarem a celebrar o Dia Internacional da Mulher. Desde então, a ONU tem sido o principal patrocinador do evento anual, encorajando mais países a reconhecer “atos de coragem e determinação por parte de mulheres comuns que desempenharam um papel de destaque na história dos seus países e comunidades”.
Desde 1996 que o Dia Internacional da Mulher apresenta um tema oficial, sendo este diferente todos os anos. O tema de 2025 é: “Para TODAS as mulheres e raparigas: direitos, igualdade e fortalecimento”, representando um convite às ações que possam ampliar a igualdade de direitos, poder e oportunidades para todas, e um futuro feminista onde nenhuma seja deixada para trás. O fortalecimento da próxima geração é central para essa ideia.
Esta data representa um momento simbólico de celebração e sensibilização para as conquistas e reivindicações históricas das mulheres, ressaltando o longo caminho que ainda é necessário para alcançar a tão desejada equidade de direitos e oportunidades. Neste contexto, a Comissão Europeia lançou a Estratégia para a Igualdade de Género 2020-2025. A Estratégia preconiza «uma Europa em que mulheres e homens, raparigas e rapazes, em toda a sua diversidade, sejam iguais e livres de seguir o caminho de vida que escolheram, tenham as mesmas oportunidades de realizarem o seu potencial e possam participar na nossa sociedade europeia e dirigi-la, em igualdade de circunstâncias.»
Embora tenham sido realizados progressos nas últimas décadas na UE, a violência e os estereótipos baseados no género continuam a existir. A literatura tem demonstrado uma diferença entre a saúde mental feminina e masculina, com diversas causas. A saúde mental é influenciada por fatores biológicos (como as alterações hormonais e a predisposição genética), fatores psicossociais (como a pressão cultural associada ao papel da mulher na sociedade e a discriminação de género) e ainda fatores psicológicos (como experiências traumáticas, padrões de beleza impostos que aumentam a insegurança e baixa autoestima e, ainda, a sobrecarga de trabalho pelo concílio do trabalho profissional e doméstico em muitas famílias, que em casos extremos pode conduzir ao desenvolvimento de uma perturbação). Atualmente, a maior parte das vítimas de violência física e/ou sexual continuam a ser mulheres; estas ganham cerca de 16% menos que os homens e representam uma baixa percentagem (8%) dos cargos de presidente executivo de grandes empresas. A pandemia de Covid-19 também contribuiu para o aumento da vulnerabilidade de muitas mulheres, desencadeando o aumento significativo nos casos de violência doméstica, depressão e tentativa de suicídio (Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, 2022).
As estatísticas demonstram que cerca de 20% das mulheres desenvolvem depressão ao longo da vida, uma prevalência duas vezes maior comparada à prevalência nos homens (Trofa Saúde, 2024). De acordo com estudos recentes, mulheres diagnosticadas com Síndrome de Ovário Poliquístico apresentam entre 4 a 7 vezes mais probabilidade de desenvolver sintomas de depressão e ansiedade. As mulheres estão também biologicamente mais suscetíveis a outras alterações hormonais provocadas pelos ciclos menstruais e menopausa. Adicionalmente, perturbações como o stress pós-traumático (PTSD) são mais comuns nas mulheres, em parte devido à maior exposição a traumas interpessoais. Para além disso, algumas perturbações mentais apresentam manifestações mais específicas no sexo feminino, como no caso da Perturbação do Défice de Atenção (Trofa Saúde, 2024).
As mulheres estão mais expostas a alguns fatores de risco para a saúde mental. A psicologia desempenha um papel fundamental para combater estes cenários, através do apoio psicológico que considera os múltiplos fatores de influência e trabalha na construção da autoestima e da autonomia do indivíduo contribuindo para desconstruir crenças opressoras atribuídas à mulher e fornecer estratégias que promovam um maior bem-estar e saúde mental feminino.
Como reforça a psicóloga Andrielli Bessa (2022), “a Psicologia desenvolve o respeito pelas diversidades, apresentando o indivíduo como um ser completo. A mulher tem, então, o poder de determinar o que é melhor para si, o caminho que deve seguir e as coisas que deve aceitar ou recusar. O autoconhecimento e o autocuidado ajudam no discernimento do que é melhor para cada mulher” (Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, 2022).
Referências Bibliográficas
Conselho Regional de Psicologia 9ª Região. (2022). Dia Internacional da Mulher aponta horizonte de lutas contínuas e reforça contribuição da Psicologia na busca por respeito e dignidade. CRP09.
https://www.crp09.org.br/portal/noticia/2762-dia-internacional-da-mulher-aponta-horizonte-de-lutas-continuas-e-reforca-contribuicao-da-psicologia-na-busca-por-respeito-e-dignidade
Rema, J. P. (2024). A saúde mental das mulheres: O papel da psiquiatria no bem-estar da mulher. Trofa Saúde.

A violência doméstica é um problema grave e persistente em Portugal, afetando milhares de pessoas todos os anos. Este tipo de violência pode assumir várias formas, incluindo agressões físicas, psicológicas, emocionais e sexuais, e pode ocorrer dentro de qualquer estrutura familiar ou relação íntima. As estatísticas mostram que as vítimas são, na sua maioria, mulheres, mas também há casos de violência contra homens, crianças e idosos. Para chamar a atenção da sociedade para este flagelo e prestar homenagem às vítimas, foi instituído o Dia de Luto Nacional pelas Vítimas de Violência Doméstica, assinalado anualmente a 7 de março.
O Dia de Luto Nacional pelas Vítimas de Violência Doméstica foi criado pelo Governo português em 2019, num contexto de crescente preocupação com o número de vítimas mortais resultantes deste tipo de crime. Este dia pretende não apenas recordar aqueles que perderam a vida devido à violência doméstica, mas também reforçar a necessidade de medidas mais eficazes para prevenir e combater este problema. Desde a sua criação, têm sido realizadas diversas iniciativas a nível nacional, incluindo debates, campanhas de sensibilização e ações de formação para profissionais que lidam com vítimas. As autoridades, como a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Guarda Nacional Republicana (GNR), reforçam a visibilidade do tema, incentivando a denúncia e disponibilizando recursos de apoio. Esta data funciona como um apelo coletivo para que a sociedade não ignore sinais de violência e contribua para a sua erradicação.
Para combater a violência doméstica de forma eficaz, é essencial um compromisso que envolva indivíduos,
instituições e autoridades. Uma das principais formas de ajudar uma vítima é ouvi-la sem julgamentos e oferecer apoio emocional, transmitindo-lhe a ideia de que não está sozinha e que há alternativas para sair da
situação de abuso. Muitas vítimas sentem medo, vergonha ou dependência financeira do agressor, o que dificulta a tomada de decisão para pedir ajuda. Por isso, informar a vítima sobre os recursos disponíveis é crucial. Em Portugal, existem diversas estruturas de apoio, como a Linha de Apoio à Vítima, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e os centros de acolhimento para vítimas em risco. Estas entidades oferecem apoio jurídico, psicológico e social, garantindo um acompanhamento adequado.
Além de fornecer apoio individual, é fundamental incentivar a denúncia da violência doméstica. Embora a decisão de denunciar deva partir da vítima, pessoas próximas podem ajudar explicando os procedimentos e oferecendo-se para acompanhar a vítima às autoridades. As denúncias podem ser feitas em esquadras da PSP e GNR, no Ministério Público ou através da linha de emergência 112 em situações de perigo iminente. Outra medida importante é ajudar a vítima a criar um plano de segurança, que pode incluir identificar locais seguros para onde possa ir, preparar documentos essenciais e estabelecer um código de alerta para pedir ajuda
discretamente.
O combate à violência doméstica também passa pela educação e sensibilização da sociedade. É essencial desconstruir mitos, como a ideia de que este é um problema privado ou que a vítima tem culpa pela violência que sofre. Campanhas de prevenção nas escolas e locais de trabalho, formação para profissionais de saúde e forças de segurança e um maior investimento em políticas públicas de proteção às vítimas são medidas que contribuem para uma mudança estrutural. A violência doméstica não é um problema individual, mas sim um problema social que exige a atenção e ação de todos. Apenas com um esforço coletivo será possível erradicar este crime e garantir uma sociedade mais justa e segura para todos.

O dia Mundial da Justiça Social é celebrado a 20 de fevereiro. Esta data foi proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007 e tem como objetivo promover a justiça social e o respeito pelos direitos humanos. Assim, é feito um apelo às nações para a eliminação de barreiras sociais e para promover a justiça, igualdade social e inclusão, desde o combate à pobreza, à exclusão social, ao desemprego e à discriminação. Este dia é geralmente acompanhado por um evento para discutir prioridades políticas e propostas para avançar em causas relacionadas com o tema. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou a «Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Justiça Social para uma Globalização mais Justa», em junho de 2008. Esta Declaração resulta de uma reflexão sobre a relevância da dimensão social no processo de globalização, com o objetivo de alcançar resultados mais equitativos. Representa, assim, um avanço significativo na promoção de uma globalização mais justa, centrada no princípio do trabalho digno. Em todo o mundo são evidenciadas injustiças persistentes, como a insegurança laboral e os altos níveis de desigualdade e desintegração social, que são agravados pelas crises globais. Assim, o reforço de instituições e políticas que promovam a justiça social é tido como uma urgência. A ONU sempre considerou que o desenvolvimento e justiça sociais são indispensáveis para a alcançar e manter a paz e segurança dentro e entre nações e que, sem paz, segurança, respeito pela liberdade e pelos direitos humanos, no geral, não podem ser alcançados nem esse desenvolvimento social nem essa justiça social.
Algumas propostas para melhorar a justiça social podem ser:
➢ a criação de empregos dignos em países onde ainda não existem;
➢ a educação e aprendizagem para todos;
➢ a proteção dos direitos dos trabalhadores;
➢ a igualdade de género não discriminação;
➢ a globalização justa, que procura equilibrar os benefícios da integração económica global com os princípios de justiça social, sustentabilidade e igualdade, defendendo que o crescimento económico global deve beneficiar todas as pessoas, independentemente da sua localização ou condição social, enquanto protege o ambiente e os direitos fundamentais;
➢ a transição justa para economias mais verdes que consiste em tornar a Europa climaticamente neutra até 2050 mas, de maneira a que essa transição seja justa e inclusiva para todos, minimizando os impactos negativos que as mudanças económicas e tecnológicas provocam;
➢ a proteção social universal que defende o acesso de todas as pessoas a sistemas de segurança social abrangentes, sem discriminação, garantindo que todos tenham cobertura para satisfazer necessidades básicas ao longo da vida.

O que é o amor? Pergunta difícil?
Não estás sozinhe. Aliás, até para a ciência compreender o sentimento de “amor”
é um desafio, apesar de algumes investigadores se aventurarem a tentar definir
esta emoção tão complexa. Robert
Sternberg destacou-se ao propor, nos anos 80, a inovadora Teoria Triangular do Amor, uma abordagem caracterizada por três
elementos fundamentais: intimidade,
paixão e compromisso (Feuerman, 2023).
Estes três elementos variam de
intensidade, combinações e momentos, e interagem de forma dinâmica, criando
assim o que Sternberg designou e descreveu como os sete tipos de amor: a
amizade, a paixão, o amor vazio, o amor romântico, o amor companheiro, o amor
fátuo e o amor consumado (o ideal) (Feuerman, 2023). É de notar que as
relações podem mudar ao longo do tempo, alternando entre estas categorias ou
permanecendo fixas numa delas.
De uma forma um pouco diferente,
Stomm (1956) identifica ainda outros
tipos de amor: o amor materno, o amor erótico, o amor próprio, o amor fraternal
e o amor por Deus.
É importante relembrar que aquilo
que faz sentido para um relacionamento pode não funcionar para outro, e até
dentro do mesmo casal, o grau de intimidade, paixão e compromisso pode mudar
com o tempo.
Será que amar é algo natural?
Contrariamente ao defendido por outras perspectivas, segundo Fromm (1956), não,
sobretudo relativamente à dificuldade de encontrar o amor numa sociedade
centrada no consumismo e na individualidade. O amor, segundo ele, é um ato criativo, intencional e aprendido,
assim como qualquer outra arte (Stomm, 1956).
A
psicologia positiva diz-nos que o altruísmo e amor altruísta estão
profundamente conectados, pois amar incondicionalmente exige altruísmo, e ser
altruísta implica amor incondicional (Seligman, 2002).
O amor, segundo a Psicologia
Positiva, é uma força essencial para a realização humana, proporcionando um
senso de completude e felicidade. Este tem efeitos moralmente positivos, pois
faz com que as pessoas procurem sempre o bem do ser amado, valorizando-o sem
diminuí-lo, em prol de relações saudáveis. Seligman (2002) define o amor como
um traço de caráter que se manifesta ao longo da vida, influenciado por padrões
de vinculação. Embora possa estar próximo de outras virtudes, como bondade e
inteligência emocional, o amor possui características próprias (Seligman,
2002). No geral, a Psicologia Positiva reforça o amor como uma virtude que traz benefícios tanto para
quem ama quanto para quem é amade.
O que nos diz a neurociência sobre o amor? O sentimento de amor está profundamente relacionado a processos neuroquímicos. Quando começamos a gostar de alguém, há um aumento de dopamina, opióides e GABA no cérebro, o que contribui para um estado de felicidade e tranquilidade (Rege, 2016). À medida que os vínculos afetivos se tornam mais fortes, entram em jogo a ocitocina e a vasopressina, neurotransmissores essenciais para a criação de vínculos sociais, românticos e parentais, sendo estes libertados, por exemplo, durante o parto, amamentação e orgasmos (Rege, 2016)
O amor é responsável pela ativação de áreas cerebrais associadas à recompensa, como o núcleo caudado, a área ventral tegmental e a pituitária, que geram euforia e desejo, semelhante aos efeitos de substâncias ilícitas (Kubu, 2018). Nos estádios iniciais do amor, o sistema de recompensa é intensamente ativado, e a dopamina libertada produz a sensação de “vício” nê nosse parceire (Kubu, 2018). Resultados obtidos através de ressonâncias magnéticas (fMRI), sugerem que o amor envolve não só a ativação de áreas que medeiam as emoções básicas, a recompensa ou a motivação, mas também regiões cerebrais, como por exemplo, o giro angular, região occipitotemporal e o hipocampo, envolvidas no processamento cognitivo complexo, como a cognição social, a imagem corporal, a autorrepresentação e a atenção (Cacioppo et al., 2012).
Resumindo, o processo de se apaixonar e criar vínculos divide-se em duas etapas principais. Primeiramente, a etapa Liking (gostar) que envolve dopamina e opióides, associados ao prazer e à recompensa (Rege, 2016). E, por fim, a etapa Bonding (vinculação), a qual necessita da ação de ocitocina e vasopressina (Rege, 2016).
O amor apresenta benefícios emocionais, como a redução de stress, devido à menor atividade na amígdala, área do cérebro associada ao medo e à ameaça (Kubu, 2018). Isso explica o porquê de normalmente nos sentirmos segures e felizes na presença de alguém que amamos. Contudo, essa segurança emocional também pode levar a vulnerabilidades, devido à maior confiança nas emoções (partes primitivas do cérebro) em detrimento da lógica (córtex frontal) (Kubu, 2018).
Curiosamente, o amor também reduz os níveis de serotonina, o que pode causar obsessão e ansiedade, justificando a tendência para pensar constantemente nê parceire (Kubu, 2018).
Embora problemas de vinculação no passado possam originar défices de recompensa, baixa autoestima, altos níveis de criticismo e prejudicar a capacidade de regulação emocional, é possível reverter este impacto através da formação de um vínculo seguro mais tarde na vida (Rege, 2016). Assim, o amor não é apenas um sentimento, mas também uma força neurobiológica capaz de transformar e curar.

Instituído pela Igreja Católica em 1992, o Dia Mundial dê Doente, celebrado a 11 de fevereiro, procura sensibilizar a sociedade para as necessidades dês doentes e valorizar o trabalho dês cuidadores e profissionais de saúde (Santos, 2024).
Os impactos psicológicos das doenças nes pacientes são profundos e multifacetados, estendendo-se para além das limitações físicas e interferindo diretamente na qualidade de vida, no bem-estar emocional e no equilíbrio mental. Estas condições, frequentemente crónicas ou debilitantes, estão associadas a perturbações como a ansiedade, a depressão, o stress e sentimentos de desamparo, os quais podem agravar o sofrimento e dificultar a capacidade do indivíduo de lidar com a sua condição. Este panorama compromete significativamente a funcionalidade diária, as relações interpessoais e a saúde global, criando um ciclo de vulnerabilidade psicológica e física (Scott et al., 2023).
Neste contexto, a Psicologia Positiva revela-se uma abordagem indispensável para o cuidado integral dê paciente. Ao enfatizar conceitos como a esperança, o otimismo e a resiliência, esta abordagem oferece ferramentas que capacitam os indivíduos a reinterpretar as adversidades de forma mais construtiva. Através do reforço das estratégias de enfrentamento emocional (coping), ês pacientes podem atribuir novos significados às suas experiências, redescobrir recursos internos e externos e, assim, facilitar uma adaptação mais funcional às exigências impostas pela doença (Kim et al., 2019; Schiavon et al., 2022).
A empatia e o cuidado humanizado são também pilares fundamentais na prática da psicologia e estão diretamente conectados aos valores promovidos pelo Dia Mundial dê Doente uma vez que promovem uma conexão genuína entre o profissional e ê paciente e são essenciais para o desenvolvimento de um vínculo terapêutico eficiente (Rezende et al., 2015).
A empatia é um elemento-chave na comunicação, permitindo ae psicólogue colocar-se no lugar dê paciente, compreender as suas perspetivas, emoções e experiências sem qualquer julgamento. A escuta ativa e empática estimula ê paciente a expressar as suas dificuldades de forma mais aberta e autêntica e permite que, para além dos sintomas físicos, sejam reconhecidos também os medos, ansiedade e esperanças das pessoas em tratamento (Rezende et al., 2015).
O cuidado humanizado reforça o respeito à dignidade e à singularidade dê paciente, levando em conta a sua história, cultura, valores e necessidades particulares. Destaca ainda a necessidade de um atendimento que respeite o ritmo, os limites e as necessidades emocionais de quem está a enfrentar uma doença, criando um ambiente acolhedor, livre de críticas, onde a pessoa se possa sentir ouvida e valorizada (Rezende et al., 2015).
A literatura destaca ainda a relevância do apoio psicológico, tanto para pacientes como para ês sues cuidadores. Intervenções estruturadas, como terapias de grupo e programas de apoio social, têm demonstrado um impacto significativo na redução do risco de esgotamento emocional. Estas estratégias promovem o bem-estar emocional e potenciam a capacidade de adaptação perante as complexidades inerentes a estas condições de saúde (Pereira, 2017; Valim et al., 2010).
Nos cenários clínicos, a atenção à saúde mental dês profissionais de saúde emerge como um pilar essencial para a prevenção do burnout, um fenómeno cada vez mais prevalente. A implementação de estratégias de suporte psicológico, aliada a práticas consistentes de autocuidado, é indispensável para fomentar um ambiente de trabalho mais equilibrado, saudável e sustentável. Este equilíbrio reflete-se não apenas no bem-estar dês profissionais, mas também na qualidade dos cuidados prestados aes pacientes, reforçando a interdependência entre ambes (Santos & Cardoso, 2010).

O
Dia Mundial da Luta Contra o Cancro é celebrado anualmente a 4 de fevereiro (Instituto
Português de Oncologia do Porto, 2025). Consagrado no ano de 2000, através da
Carta de Paris aprovada na Cimeira Mundial Contra o Cancro para o Novo Milénio,
e promovida pela União Internacional de Controlo do Cancro (UICC), a data tem
como objetivo capacitar e unir a população mundial para enfrentar um dos
maiores desafios de saúde pública atual (Liga Portuguesa Contra o Cancro, 2025).
Segundo
dados da Organização Mundial de Saúde, estima-se que cerca de 10 milhões de
pessoas morrem anualmente vítimas de cancro. A acrescentar, estima-se ainda que
cerca de 30% dos cancros poderiam ser evitados através da tomada de medidas
preventivas adequadas, como a implementação de programas de deteção precoce e
tratamento atempado (Serviço Nacional de Saúde, 2023). Ainda que o dia tenha
como objetivos mais amplos a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso a
tratamentos, é igualmente importante destacar o impacto psicossocial que o
cancro tem, e divulgar o papel crucial que a Psicologia desempenha no cuidado e
reabilitação dês pacientes (Trofa Saúde, 2020).
Viver
com cancro é um desafio não apenas para ê doente, mas também para a família e
cuidadores informais. A confrontação do indivíduo com uma doença oncológica, os
problemas emocionais e o sofrimento psicossocial são comuns (Trofa Saúde, 2020);
é frequente a associação da doença à morte, muitas vezes sob forma de crença
distorcida e irracional, e ao sofrimento agudo, o que muitas vezes leva à
diminuição da autoestima, à perda de motivação para continuar a lutar e a
pensamentos negativos. Mais de metade dês doentes com cancro manifestam
sofrimento emocional significativo capaz de prejudicar a capacidade de lidar eficazmente
com a doença (com os sintomas, os efeitos físicos, os efeitos secundários e com
o tratamento) e cerca de 25-30% dês mesmes apresentam sintomas clinicamente
significativos de perturbação psicológica (Borges et al., 2023).
Deste modo, a Psicologia Oncológica tem
um papel fundamental no decorrer do processo da doença, por abordar os aspetos
psicossociais e emocionais que envolvem ês doentes com cancro, as suas famílias
e ês sues cuidadores (Brown et al., 2025). Objetivando a prestação de cuidados
centrados nê doente, a Psicologia Oncológica prevê uma articulação precisa com ês
profissionais de saúde de todas as áreas de prestação de cuidados, podendo
ainda beneficiar ês profissionais em si (Trofa Saúde, 2020).
Em adição, em pacientes oncológicos graves,
é comum a presença de pensamentos angustiantes, ligados ao confronto direto com
a mortalidade dê próprie. Este processo pode dar início a reações que precedem
a perda da vida, das quais podem fazer parte sentimentos dicotómicos,
acompanhados de elevados níveis de ansiedade (Cancer Research UK, n.d.). É
nesta fase, antes da morte física, que é feito o trabalho de “luto
antecipatório”, trabalhado pele psicólogue com ê doente em causa. Ê psicólogue desempenha
ainda um papel fundamental no processo de luto dês familiares de une doente
oncológice que faleceu, ajudando ês mesmes a processar as emoções complexas que
o acontecimento traz, como a culpa, a raiva e a tristeza. Esse apoio
psicológico é fulcral para facilitar a aceitação à perda (Borges et al.,
2023).
O
Dia Mundial da Luta Contra o Cancro é, desta forma, vital para a sensibilização
sobre a doença e para a promoção da prevenção e melhoria de tratamentos,
sublinhando ainda a importância dê psicólogue no processo de acompanhamento da
evolução da doença, do tratamento e possível processo de “luto antecipado”,
para ê doente, e de luto após morte, para a família (Trofa Saúde, 2020).

Inaugurado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a 3 de dezembro de 2018, o Dia Internacional da Educação foi criado com vista à sensibilização da sociedade para que se cumpra o direito à educação estabelecido no 26º artigo da «Declaração Universal dos Direitos Humanos», em 1948 e na «Convenção sobre os Direitos da Criança», em 1989. O tema de 2025 é: “IA na Educação: Preservar a Agilidade Humana no Mundo Tecnológico”, com o intuito de inspirar reflexões sobre o poder da educação para preparar os indivíduos e as comunidades para navegar, perceber e influenciar os avanços tecnológicos a que temos assistido nos últimos tempos. A adoção da IA nas instituições de ensino está em ascensão, havendo um potencial significativo para explorar essas tecnologias na trajetória educacional dês alunes.
A educação é um direito humano, um bem público e uma responsabilidade pública. É através de uma educação de qualidade, inclusiva e equitativa, que possibilite oportunidades ao longo da vida para todes, que os países conseguem dar um passo em frente no caminho para a igualdade de género e na quebra de ciclos de pobreza que ainda afetam milhões de crianças, jovens e adultes. Situações de desigualdade condicionam a possibilidade de desenvolvimento pleno da pessoa e, consequentemente, do seu bem-estar. Esse impedimento pode, inclusive, perpetuar-se para futuras gerações.
Para que a educação seja verdadeiramente inclusiva e eficaz, é necessário garantir que as necessidades emocionais e sociais dês alunes sejam atendidas, e nesse sentido, ê psicólogue tem um papel fundamental. Segundo a OPP (2018), estima-se que 1 em cada 5 crianças/ adolescentes manifestam perturbações mentais – uma prevalência elevada que tem vindo a aumentar nos últimos anos. Estes dados demonstram a importância da colaboração dê psicólogue no meio académico, com educadores, famílias e outres profissionais para melhorar a identificação de dificuldades, oferecer apoio e criar um ambiente educativo que favoreça o bem-estar, garantindo que ês alunes tenham a mesma igualdade de oportunidades.
O contexto escolar, ambiente onde ês estudantes passam a maior parte do seu tempo, tem grande influência no desenvolvimento de competências cognitivas, como a memória, atenção e raciocínio. Da mesma forma, a escola promove a interação social, favorecendo o desenvolvimento de habilidades psicossociais. O bom desenvolvimento destas capacidades pode também ser aprimorado através do acompanhamento psicológico.
O Dia Internacional da Educação é, desta forma, uma oportunidade para promover e relembrar a importância e o papel da Psicologia no ambiente educacional, na erradicação das desigualdades e na promoção de uma sociedade mais ciente e inclusiva.

Sabias que, embora em Portugal o Dia da Liberdade seja comemorado a 25 de abril, a data mundial escolhida pela ONU e proclamada pela UNESCO para celebrar a Liberdade é o dia 23 de janeiro? Este dia convida-nos a refletir sobre a importância do direito intrínseco à liberdade, de todos os seres humanos, nas diversas dimensões da sua vida. Em particular, na Psicologia, a liberdade assume um papel central devido à influência que exerce no bem-estar individual e coletivo.
A liberdade pessoal é um alicerce do bem-estar psicológico. Ter autonomia para tomar decisões, expressar pensamentos e viver de acordo com os próprios valores é fundamental para o crescimento pessoal e a autorrealização. A Psicologia Humanista, por exemplo, enfatiza que ambientes que promovem a liberdade e a autenticidade permitem que os indivíduos desenvolvam plenamente o seu potencial (Rogers, 1961). Sem essa liberdade, surgem sentimentos de frustração, falta de controlo e alienação, que podem prejudicar significativamente a saúde mental.
Qualquer forma de opressão representa uma barreira à liberdade, que afeta profundamente o equilíbrio emocional dos indivíduos. Inclusive, estudos mostram que contextos de opressão e falta de autonomia, como regimes autoritários, relações abusivas ou discriminação social, aumentam a vulnerabilidade do desenvolvimento de perturbações mentais, como ansiedade, depressão e perturbação de stress pós-traumático (PTSD) (Patel et al., 2018; Charlson et al., 2019).
Assim, a Psicologia desempenha um papel fundamental na reabilitação de indivíduos que enfrentaram a perda de liberdade, como, por exemplo, refugiados, vítimas de violência ou tráfico humano. Através de abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Psicologia do Trauma, ês psicólogues ajudam estas pessoas a reconstruir a sua confiança, a resiliência e a reintegrar-se socialmente (Herman, 1992; Foa et al., 2019), trabalho este essencial para devolver aos indivíduos a sensação de controlo sobre as suas vidas e promover a dignidade humana.
A liberdade também se manifesta no reconhecimento e respeito pela individualidade e diversidade cultural (Berry, 1997). Por um lado, quando as diferenças culturais são valorizadas, criam-se espaços de aceitação e inclusão que favorecem o desenvolvimento de identidades saudáveis, por outro, ambientes que reprimem a expressão cultural ou individual promovem sentimentos de exclusão e isolamento social. Assim, o reconhecimento e a valorização das diferenças culturais mostram-se fundamentais para a saúde mental (Berry, 1997).
O Dia Mundial da Liberdade recorda-nos que, para além de um direito, a liberdade é uma componente crucial para o desenvolvimento psicológico e social. A Psicologia, enquanto ciência, contribui de forma significativa para a promoção da liberdade, seja ao apoiar indivíduos a recuperar a autonomia, ao transformar as dinâmicas sociais que limitam o potencial humano ou ao consciencializar o mundo para a sua importância. Assim, ao celebrarmos este dia, somos chamades a refletir sobre o nosso papel na construção de um mundo mais livre, inclusivo e psicologicamente saudável.
Por fim, nos últimos anos tem-se observado algumas das maiores mobilizações de sempre, em prol da liberdade de diferentes grupos. Movimentos como “Black Lives Matter” e o movimento “LGBTQ+”, por exemplo, motivaram já milhões de pessoas a sair às ruas e a atuarem online para a reivindicação dos direitos humanos de grupos afetados. Estes movimentos e as ações de ativismo que provocam são essenciais para a construção de sociedades mais justas e livres, pelo que é importante referir a relevância da continuação do seu trabalho e do aparecimento de novos movimentos.

O Dia Internacional do Obrigado celebra-se a 11 de janeiro. Esta data foi criada nas redes sociais com o intuito de incentivar e incitar todos a dizerem um “obrigado” sincero àqueles que fazem parte das suas vidas. Expressar agradecimento tem raízes profundas na cultura e na linguagem, refletindo a
importância de reconhecer e valorizar as ações positivas dos outros no quotidiano. Embora não seja uma celebração amplamente conhecida, o Dia Internacional do Obrigado tem um propósito nobre: lembrar a importância de expressar gratidão. A gratidão é um sentimento de lembrança, reconhecimento ou agradecimento por um bem-recebido, seja uma ajuda, um favor ou um outro benefício. De modo geral, apesar das pessoas serem capazes de ver e apreciar as coisas boas que lhes vão acontecendo, na maioria das vezes, não cultivam o hábito de as agradecer. Com facilidade, tomam estes acontecimentos como garantidos, não lhes atribuindo o devido valor e significado.
Cada “obrigado” tem o potencial de criar conexões, promover a empatia e tornar as interações humanas mais significativas. Ou seja, manifestar gratidão através desta palavra fortalece os laços sociais e promove um ambiente de reciprocidade e respeito entre todos. O reconhecimento das ações positivas das outras pessoas consequentemente incentiva a construção de relações mais saudáveis e harmoniosas. Além disso, a prática regular de expressar reconhecimento e agradecimento pode servir como uma lembrança constante das coisas boas na vida, o que pode ajudar a desenvolver uma
mentalidade mais positiva e resiliente.
Alguns exemplos de situações e ambientes onde dizer a palavra “Obrigado” tem um papel fundamental são:
• Reconhecimento de Favores e Ajuda – Quando alguém se predispõe a oferecer qualquer tipo ajuda num momento de necessidade, como emprestar qualquer tipo de objeto ou dar apoio emocional, dizer “obrigado” demonstra reconhecimento pelo esforço e gentileza da outra pessoa.
• Serviços Recebidos – Ao ser atendidos em restaurantes, cafés ou lojas, é importante agradecer ao profissional que prestou o serviço pois demostra respeito e apreço.
• No Ambiente de Trabalho/Faculdade/Escola – Agradecer a colegas pela sua colaboração e apoio em trabalhos /projetos em conjunto fortalece o espírito de equipa e melhora a dinâmica do ambiente de trabalho. Além disso, ajuda a criar um clima de respeito e motivação mútua.
• Após Receber um Presente – Expressar gratidão ao receber um presente mostra que não só o objeto em si foi apreciado, mas também o gesto e a intenção por trás dele. Esse simples “obrigado” reforça laços pessoais.
• Nas Relações Pessoais – Agradecer pequenos gestos no dia a dia, como quando alguém prepara uma refeição ou oferece a sua companhia, demonstra reconhecimento, fortalecendo vínculos emocionais.
• Momentos de Superação – Em situações de recuperação, agradecer aos que demonstraram apoio é uma forma poderosa de validar a importância da sua presença ao longo de todo o processo.
Não é segredo que a gratidão tem um impacto profundo e positivo na saúde mental, sendo amplamente reconhecida pela sua capacidade de melhorar o bem-estar emocional e psicológico. O Dr.Martin E. P. Seligman, psicólogo da Universidade da Pensilvânia, testou o impacto de várias intervenções de psicologia positiva em 411 pessoas, cada uma comparada com uma tarefa de escrever sobre memórias antigas. Quando a tarefa da semana era escrever e entregar, pessoalmente, uma carta de gratidão a alguém que nunca havia sido devidamente agradecido por sua gentileza, os participantes imediatamente
demonstraram um grande aumento nos índices de felicidade. Esse impacto foi maior que o de qualquer outra intervenção, com benefícios que duraram um mês. Este tipo de estudos revela que gratidão age como uma espécie de “antídoto” natural contra o stress e negatividade, promovendo uma visão mais otimista e saudável da vida.
Ser grato e expressá-lo através da palavra “obrigado” é mais do que uma simples formalidade, é uma prática que enriquece a vida e fortalece as conexões sociais. Quando se compreende a profundidade e a importância de expressar reconhecimento e gratidão, é possível incorporá-la de maneira mais
consciente no quotidiano. Neste dia Internacional do Obrigado, é encorajado que se diga “obrigado” a todos os que merecem ouvir essa palavra, criando um hábito que se deve manter durante todo o ano e que, a longo prazo, faça parte do dia a dia de forma genuína e espontânea.

Instituído pela ONU a 18 de dezembro de 2000, o Dia Internacional dê Migrante foi estabelecido dez anos após a adoção da Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todes ês Trabalhadores Migrantes e Membros das Suas Famílias. A data visa reconhecer as contribuições des migrantes e chamar à atenção para os desafios enfrentados por estas populações, numa iniciativa promovida pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Estatísticas Globais
- 1 em cada 30 pessoas é migrante;
- Em 2020, registaram-se 281 milhões de migrantes internacionais, representando 3,6% da população mundial;
- Mais de 41 milhões de pessoas encontram-se deslocadas internamente.
Principais Causas da Migração
- Económicas: procura de melhores condições de vida e oportunidades de emprego;
- Políticas: conflitos armados, perseguições e violações dos direitos humanos;
- Climáticas: desastres naturais e mudanças climáticas que levam ao deslocamento forçado;
- Sociais: acesso à educação, laços comunitários e procura de melhoria na qualidade de vida.
A mobilidade humana apresenta-se, portanto, como um processo essencial para o desenvolvimento sustentável, bem como para a mitigação e adaptação a desafios globais, no entanto, ês migrantes são alvos frequentes de dificuldades socioeconómicas, descriminação, dificuldade de ajustamento cultural, trauma pré e pós migração e de outros fatores psicossociais que tendem a ser pontos de partida para um mau-estar psicológico. Com efeito, verifica-se uma grande prevalência de perturbações mentais em migrantes de primeira geração.
A saber, a literatura diz-nos que, dada a complexidade do processo migratório, o possível desenvolvimento de perturbações psicopatológicas em migrantes é igualmente complexo de se analisar. Existem diversos fatores individuais e sociais que afetam o antes, o decorrer e o depois da migração que influenciam a saúde mental destes indivíduos. De entre os fatores mais citados para tal estão: ser vítima de, ou testemunhar, violência no país de origem; bem como enfrentar dificuldades no país de origem, como a recusa de asilo; viver em situações precárias ou sofrer dificuldades de adaptação culturais. Por outro lado, existe um conjunto de fatores que se demonstram protetores da saúde mental da população migrante, sendo estes: suporte social, suporte psicológico e uma boa qualidade de vida no país que acolhe.
Consequentemente, torna-se imperativo adotar iniciativas estratégicas para o planeamento e implementação de ações direcionadas à promoção da saúde mental dês migrantes. É fundamental desenvolver intervenções personalizadas e adaptadas às especificidades das suas necessidades, de forma a mitigar vulnerabilidades e assegurar um suporte eficaz e respeitoso.
O Dia Internacional dê Migrante é um convite à reflexão sobre as contribuições dês migrantes e os desafios enfrentados, como discriminação, precariedade e riscos à saúde mental. Apesar de esforços internacionais, como o Pacto Global para a Migração Segura, ainda há barreiras que comprometem os direitos e o bem-estar desta população. A mobilidade humana, essencial para o desenvolvimento sustentável, exige ações integradas que garantam condições dignas, proteção legal e acesso a cuidados de saúde, promovendo a prosperidade dês migrantes nos países de acolhimento.
Para saberes mais…
Vídeo de 1 minuto sobre a Migração:
“Migration is Part of the Solution” – Migration is Part of the Solution

Antigamente, pessoas com deficiência (PCD) eram vistas como inferiores, frequentemente excluídas e tratadas de forma desumana, como na Grécia Antiga, onde eram abandonadas. Atualmente, avanços na Medicina e na Psicologia promovem a inclusão através da adaptação mútua entre o indivíduo e o ambiente, desafiando a segregação. Apesar disso, pessoas com deficiência ainda enfrentam desafios significativos devido a estigmas, preconceitos e a falta de acessibilidade, que afetam negativamente a sua saúde mental. Ansiedade, stress e baixa autoestima surgem muitas vezes devido a preocupações com o futuro, experiências negativas e barreiras sociais, emocionais ou físicas. Essas dificuldades podem levar à exclusão social e aumentar a vulnerabilidade a condições como perturbações depressivas. No entanto, com suporte adequado, PCD podem viver de forma plena, participando ativamente na sociedade e construindo relações saudáveis.
A forma como a deficiência é compreendida também evoluiu ao longo do tempo. O Modelo Médico, que a tratava como um problema individual, focava-se na “cura” ou adaptação da pessoa ao ambiente, ignorando fatores sociais. Já o Modelo Social deslocou a responsabilidade para a sociedade, destacando assim a necessidade de ambientes inclusivos. Mais recentemente, o Modelo Biopsicossocial integrou as duas abordagens anteriores, considerando fatores médicos, psicológicos e sociais, enfatizando assim a interação entre o indivíduo e o ambiente, com o maximizar da funcionalidade e da participação.
Estas mudanças de paradigma revolucionaram atitudes e políticas. O Modelo Médico trouxe avanços na reabilitação; o Modelo Social impulsionou os direitos humanos; e, por sua vez, o Biopsicossocial oferece uma abordagem equilibrada, essencial para garantir a inclusão e equidade na sociedade.
Em Portugal, diversas iniciativas têm demonstrado o potencial da inclusão. A Educação Inclusiva, regulada pelo Decreto-Lei n.º 54/2018, é um exemplo marcante, promovendo a adaptação dos currículos escolares para atender às necessidades de alunes com deficiência. Este modelo reforça a importância de garantir que todes, independentemente das suas capacidades, tenham acesso igualitário à educação e à participação plena na vida escolar.
Outro exemplo relevante é a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, que proporciona cuidados personalizados e multidisciplinares, permitindo que pessoas com deficiência tenham maior qualidade de vida e independência. Além disso, no âmbito do desporto, iniciativas como as promovidas pelo Comité Paralímpico de Portugal mostram como a prática desportiva adaptada pode servir como um instrumento poderoso de inclusão, ao mesmo tempo que fomenta o bem-estar físico e mental.
A inclusão, contudo, não é responsabilidade exclusiva das políticas públicas, organizações ou profissionais de saúde, isto é, cada indivíduo tem um papel fundamental na construção de uma sociedade mais acessível e justa. É crucial que todes reflitam sobre as suas atitudes, ações e preconceitos, questionando de que forma podem contribuir para a inclusão no seu quotidiano, quer seja na escola, no trabalho ou na comunidade. Pequenos gestos, como respeitar o ritmo de cada pessoa, valorizar as suas competências ou garantir a acessibilidade em espaços e eventos, podem ter um impacto significativo.

“O conhecimento de si mesmo é o início de toda a sabedoria.” (Aristóteles)
A Filosofia é uma das ciências mais antigas, nascida há milhares de anos com o propósito de compreender os mistérios do mundo e do ser humano. Os filósofos gregos, como Sócrates, Platão e Aristóteles, foram pioneiros ao questionar a essência da vida, da moralidade, da mente e da verdade, estabelecendo bases para o pensamento crítico e para uma visão sistemática sobre quem somos. Estas dúvidas e questionamentos abriram espaço para o estudo da mente e das emoções, inspirando, séculos depois, o desenvolvimento da Psicologia como ciência independente.
Foi só no século XIX, com a ajuda de investigadores como Wilhelm Wundt, que a Psicologia se separou oficialmente da Filosofia. A partir daí, a Psicologia passou a investigar a mente humana com métodos científicos, procurando entender a consciência, as emoções, os pensamentos e o comportamento de forma prática, bem como a forma como estas componentes afetam a nossa vida diária.
Enquanto a Filosofia levanta as grandes questões como “Quem somos?” ou “Porque é que existimos?”, a Psicologia mergulha nessas perguntas com ferramentas científicas. A Filosofia perguntaria “O que é a felicidade?” e a Psicologia investigaria “O que é que nos faz sentir felicidade?”
Em 2002, a UNESCO marcou este dia pela necessidade da humanidade refletir sobre os acontecimentos atuais, fomentando o pensamento crítico, criativo e independente, contribuindo assim para a promoção da tolerância e da paz.

Francis Sumner
Conhecido como o “Pai da Psicologia Negra”, por ter sido o primeiro afro-americano a ter o grau de Doutoramento em Psicologia, em 1920, com a tese intitulada “Psicanálise de Freud e Adler”. Enfrentou um percurso profissional segregador e racista, que o impediu de ser financiado por várias agências de pesquisa. Apesar disso, desenvolveu diversos estudos sobre o preconceito racial e apoiou a justiça educacional, tendo sido um dos fundadores do departamento de Psicologia da Howard University. Este psicólogo foi um marco na representação racial dentro da Psicologia.
Inez Beverly Prosser
Inez Beverly Prosser, foi uma das primeiras mulheres negras a obter um Doutoramento em Psicologia, em 1933. Trabalhou como professora durante 18 anos, estudou e analisou não só os efeitos do racismo e da desigualdade no desenvolvimento da saúde mental de crianças negras, bem como o impacto da segregação escolar nestas mesmas crianças. Nos seus estudos concluiu que as crianças negras tinham uma melhor experiência em escolas segregadas, pois, em comparação com escolas integradas, sentiam-se mais seguras e socialmente ajustadas. As suas conclusões controversas tiveram especial importância no caso histórico Brown vs. Board of Education.
Mamie Phipps Clark
Psicóloga Social que, em conjunto com o seu marido, Kenneth Clark, desenvolveu estudos para compreender o desenvolvimento da consciência do eu em crianças negras. Os seus estudos ficaram mundialmente conhecidos através do “Doll Test”, no qual crianças negras eram questionadas, perante duas bonecas (uma de cor branca e outra negra) qual consideravam ser a boneca “boa”, “bonita” ou “feia”, o que expôs o racismo internalizado e os efeitos negativos da segregação para crianças afro-americanas.
Os seus estudos foram fundamentais para o reconhecimento da identidade racial, enquanto fator influenciador do bem-estar e para o desenvolvimento de uma Psicologia mais inclusiva.
Joseph L. White
Conhecido com o “Pai da Psicologia Negra Contemporânea”, iniciou um longo movimento na Psicologia para encorajar mais pesquisas e uma melhor compreensão de abordagens de saúde mental que atendam à experiência negra, argumentando que aplicar a “Psicologia branca” aos negros não considera a vivência negra. Foi um psicólogo que dedicou a sua vida na luta pela reforma do sistema educacional, dando voz a milhares de jovens negros e alimentando a Psicologia com novos modelos que reconhecem a riqueza da diversidade multicultural.

O Dia Internacional para a Tolerância celebra-se anualmente a 16 de novembro, de forma a lembrar a importância, numa sociedade, dos valores democráticos como o respeito pelo outro e pela diferença. É uma iniciativa da UNESCO, expressa na Declaração de Princípios sobre Tolerância. Foi proclamado na Resolução 51/95, adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas de 12 de dezembro de 1996.
Este dia constitui uma oportunidade para valorizarmos a diversidade cultural, o princípio do diálogo entre os seres humanos, a coexistência pacífica, a justiça social e a solidariedade entre países e povos. A tolerância, enquanto valor universal, é instrumental na construção de pontes perante o outro, na aceitação do que não é semelhante e no firme respeito pela diferença.
A tolerância deve combater discursos ou atitudes que levam ao medo e à exclusão e ajudar os jovens a serem capazes de fazer um julgamento independente dos factos, terem pensamento crítico e raciocínio ético. Para além disso, a tolerância é um passo fundamental para lidar com os desafios de um mundo globalizado onde os conflitos culturais e ideológicos facilmente surgem.
Como ser mais tolerante?
· Escutar sem julgamentos
· Respirar fundo antes de reagir
· Aceitar que outras opiniões têm valor
· Aprender com os erros e abraçar a incerteza
· Ser empático e colocar-se no lugar do outro
· Trabalhar no autoconhecimento e questionar os próprios julgamentos
No fundo, ser tolerante significa reconhecer, aceitar e defender os Direitos Humanos fundamentais, para que seja possível viver em comunidade e no ambiente de paz.

A Língua Gestual Portuguesa (LGP) começou a desenvolver-se em 1823, com a criação da primeira escola para surdos na Casa Pia de Lisboa. Apesar de influenciada pela língua gestual sueca, a LGP evoluiu de forma independente e apenas em 1997 foi reconhecida oficialmente pela Constituição da República Portuguesa, marcando um passo decisivo na promoção dos direitos das pessoas surdas.
Além de ser uma ferramenta de comunicação, a LGP é também um elemento fundamental da identidade cultural da comunidade surda, refletindo a sua forma de expressão e criando um forte sentido de pertença.
Contudo, esta comunidade enfrenta muitos desafios, como a falta de intérpretes e de professores preparados, e a dificuldade de acesso a serviços essenciais, incluindo saúde e plataformas digitais (pela ausência de legendas e de suporte em Língua Gestual), o que limita a autonomia das pessoas surdas e reforça a necessidade de maior inclusão.
Nos últimos anos, diversas tecnologias emergentes têm contribuído para combater estas barreiras, nomeadamente ferramentas de tradução automática e reconhecimento de sinais. Um exemplo são as luvas SignAloud, compostas por sensores que permitem captar os movimentos das mãos e traduzir gestos em palavras audíveis, facilitando a comunicação com ês ouvintes.
Outra tecnologia promissora é o StorySign da Huawei, a primeira plataforma de alfabetização do mundo para crianças surdas, que combina, em tempo real, uma câmara com um sistema de inteligência artificial e realidade aumentada para converter gestos em texto. Esta inovação já foi aplicada a mais de 32 milhões de crianças surdas a nível mundial.
Estas ferramentas representam um avanço crucial na promoção da comunicação inclusiva e da autonomia das pessoas surdas em diversos contextos. No entanto, para uma promoção mais eficaz, também são necessárias políticas adequadas. Em Portugal, a Lei n.º 38/2004, conhecida como Lei de Base da Prevenção e Reabilitação e Participação das Pessoas com Deficiência, estabelece o regime jurídico para a inclusão de pessoas com deficiência, incluindo a comunidade surda. Esta lei assegura o direito de acesso à LGP, prevendo a presença de intérpretes em serviços públicos essenciais, como na saúde e na educação e garantindo acessibilidade em contextos como tribunais e serviços administrativos.
No entanto, a aplicação prática desta lei enfrenta ainda dificuldades, especialmente em zonas mais remotas. É necessário, além de recursos, uma fiscalização eficaz e campanhas de sensibilização que promovam o cumprimento dos direitos linguísticos da comunidade surda, permitindo que participem de forma igualitária na vida pública.

O Dia das Nações Unidas é celebrado anualmente a 24 de outubro, dia este em que a “Carta das Nações Unidas” entrou em vigor, fundando assim a organização em 1945. Este dia é comemorado mundialmente por várias iniciativas, com o objetivo de amplificar e reafirmar os princípios e objetivos comuns que têm guiado a ONU.
Criada no final da II Guerra Mundial, quando a Humanidade procurava reconstruir-se e proteger a dignidade humana e do desenvolvimento, a ONU concentra a sua atuação na promoção da paz e defesa dos Direitos Humanos. A ONU serve como fórum para os seus Estados-membros expressarem pontos de vista através da Assembleia Geral, do Conselho de Segurança, do Conselho Económico e Social e de outros órgãos e comissões da Organização. Ao possibilitar o diálogo entre os seus membros e ao mediar negociações, tornou-se no mecanismo que permite aos governos encontrar áreas de entendimento e lidar com os desafios em conjunto.
Graças ao seu trabalho direcionado para a paz mundial, a ONU foi distinguida, juntamente com o secretário-geral Kofi Annan, com o Prémio Nobel da Paz, em 2001. Além da Organização, outras 7 agências especializadas das Nações Unidas e 12 personalidades ligadas à ONU já venceram o Prémio Nobel da Paz.
Portugal torna-se membro da Organização em sessão especial da Assembleia Geral realizada a 14 de dezembro de 1955. A declaração de aceitação para Portugal das obrigações constantes da Carta foi depositada junto do Secretário-Geral a 21 de fevereiro de 1956.
As Nações Unidas defendem a saúde mental como um direito fundamental, vital para a humanidade e indispensável para uma vida plena. António Guterres, secretário-geral da ONU, diz que os governos devem proteger esses direitos e prestar os cuidados necessários para a recuperação daqueles afetados, tal inclui: reforço do apoio comunitário e integração da ajuda psicológica no pacote de cuidados de saúde e sociais.
O líder das Nações Unidas também ressalta que é necessário combater os abusos e derrubar as barreiras que impedem as pessoas de procurar ajuda, além de abordar as causas profundas, como a pobreza, desigualdade, violência e discriminação.
O objetivo da ONU é o de unir todas as nações do mundo em prol da paz e do desenvolvimento, com base nos princípios da justiça, dignidade humana e no bem-estar de todos.

O Dia Mundial da Alimentação, comemorado a 16 de outubro, foi instituído pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) em 1981. A data foi criada para conscientizar a população global sobre a importância de garantir e promover uma alimentação saudável e acessível para todos. Além disso, procuta alertar para questões relacionadas à fome, má nutrição e sustentabilidade nos sistemas alimentares do mundo todo.
Ter uma alimentação saudável não só contribui para uma boa saúde física como também tem efeitos profundos na nossa saúde mental. Dietas ricas em nutrientes, com ênfase em alimentos integrais, frutas, vegetais e gorduras saudáveis, ajudam a melhorar o humor, a regular o stresse e a ansiedade, além de prevenir doenças neurodegenerativas.
Cada vez mais, pesquisas demonstram que o que comemos pode influenciar diretamente o funcionamento do nosso cérebro e nosso bem-estar psicológico. Diferentes tipos de alimentos têm impactos em diferentes aspetos que envolvem a nossa saúde mental. Por exemplo, uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais e peixe pode melhorar o humor e ajudar a prevenir a depressão. Alimentos ricos em ômega-3, como peixes gordurosos como salmão e sardinha, são especialmente eficazes. O ômega-3 é conhecido por regular os neurotransmissores no cérebro, como a dopamina e a serotonina, os quais estão associados à regulação do humor e da ansiedade.
Um estudo de 2017 publicado no BMC Medicine investigou os efeitos de uma intervenção dietética em pessoas com depressão e concluiu que uma dieta saudável pode reduzir significativamente os sintomas de perturbações depressivas. A ingestão de carboidratos complexos, como os encontrados em grãos integrais, fornece uma fonte estável de energia para o cérebro e evita oscilações nos níveis de glicose no sangue, que podem causar irritabilidade, fadiga e mau humor. Uma outra pesquisa publicada no American Journal of Clinical Nutrition concluiu que uma dieta rica em carboidratos refinados e açúcar aumenta o risco de sintomas de depressão e ansiedade.
A ligação intestino – cérebro é uma via de comunicação direta entre o intestino e o nosso sistema nervoso central. Os probióticos, presentes em alimentos fermentados como iogurte e kefir, têm um efeito positivo no macrobiota intestinal, o que pode ajudar a melhorar o humor e a reduzir a ansiedade. Pesquisas publicadas no Frontiers in Psychiatry mostraram que a melhora da flora intestinal está associada à diminuição dos sintomas de ansiedade.
O Dia Mundial da Alimentação não só reforça a importância de combater a fome como também promove a conscientização sobre como é que as nossas escolhas alimentares afetam diretamente a nossa saúde, o meio ambiente e o futuro das gerações. Além disso, a ciência mostra que uma alimentação equilibrada pode melhorar nosso bem-estar psicológico e emocional, contribuindo para um melhor estado mental, controlo de stress, e até mesmo prevenção de patologias psicológicas.

O Dia Mundial do Animal assume uma especial relevância para a Psicologia, particularmente nas áreas do bem-estar e da saúde mental. Além dos vínculos que se criam entre pessoas, é também possível desenvolver vínculos com animais e até mesmo atribuir-lhes um sentimento de valor que pode ser comparado ao de outros seres humanos.
Alguns estudos já comprovaram que ao olhar fixamente para um cão, o nosso cérebro começa a produzir em grande quantidade a hormona ocitocina, também conhecida como “hormona da felicidade” ou “do amor”, e esta é uma das razões pelas quais nos sentimos mais calmos e menos ansiosos junto destes, fortalecendo o vínculo humano-animal. O simples ato de cuidar e conviver com um animal pode servir para criar uma rotina e um sentido de propósito, fatores conhecidos por contribuírem positivamente para a saúde mental.
Além de tudo aquilo que nos ensina, como o sentido de responsabilidade, empatia e compaixão, ajuda ainda crianças a desenvolver competências sociais e emocionais. Como tal, os animais são frequentemente integrados em intervenções terapêuticas para ajudar no tratamento de psicopatologias como a ansiedade, depressão e PTSD e como auxílio na intervenção em crianças com perturbações de desenvolvimento como a perturbação do espetro de autismo ou hiperatividade. A relação com os animais oferece suporte emocional e pode aumentar os sentimentos de pertença e, por isso, ajuda na redução do stress, aumento da empatia e melhoria do humor.
Para além de serem bons companheiros, os animais podem também ter um papel de grande importância num processo de luto, que é fundamental vivenciar. Os animais aumentam a sensação de bem-estar emocional e, numa situação em que se enfrenta um misto de emoções, pensamentos e sentimentos, como a dor, solidão, e tristeza, podem ter um papel que motiva a interação com o mundo ao redor. Ter um animal é sinónimo de também ter muitas responsabilidades inadiáveis: alimentá-lo, passeá-lo e dar-lhe alguma atenção, ou seja, simples tarefas que rapidamente podem tornar-se em momentos de descontração. Momentos esses que, aos poucos, permitem que a dor possa ser colocada de lado e que a tristeza se afaste, dando lugar a uma menor ansiedade e a um maior carinho e amparo.
Mais do que companhia, os animais podem ser agentes promotores de saúde mental e bem-estar, tendo um impacto positivo na regulação emocional dos seres humanos.

A celebração do Dia Internacional da Não-Violência visa promover ativamente os princípios da não-violência, incentivando a resolução pacífica de conflitos e a construção de uma cultura de paz, tolerância e compreensão. A ONU aproveita esta ocasião para reforçar a importância da educação e da sensibilização da sociedade para os valores de paz e não-agressão.
Quais são os princípios da não-violência?
Martin Luther King, amplamente reconhecido pelo seu papel no movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, era um fervoroso defensor do princípio da não-violência, que considerava o meio mais eficaz para combater a injustiça e transformar a sociedade. Neste contexto, elaborou 6 princípios da Não-Violência:
- Princípio 1: A não-violência é um modo de vida para os corajosos.
- Princípio 2: A não-violência procura promover a amizade e a compreensão.
- Princípio 3: A não-violência visa derrotar a injustiça, não as pessoas.
- Princípio 4: A não-violência defende que o sofrimento pode educar e transformar.
- Princípio 5: A não-violência opta pelo amor em detrimento do ódio.
- Princípio 6: A não-violência acredita que o universo está do lado da justiça.
O impacto da não-violência ao longo da História
Ao longo da História, os movimentos baseados na não-violência têm deixado a sua marca na promoção de mudanças sociais e políticas em várias partes do mundo. Estes movimentos demonstraram que a resistência pacífica, quando executada de forma estratégica, pode ser uma ferramenta poderosa para combater a opressão e alcançar direitos fundamentais, como liberdade, igualdade e justiça.
Historicamente, o nosso país conta com um momento marcante de não-violência: o 25 de abril de 1974. Nesse dia, o povo saiu de casa, em revolta contra a ditadura de António Salazar, que se instalava no país há 41 anos. A grande referência dos cravos vermelhos descreve o momento de não-violência: a população colocou flores nas armas dos militares, mostrando a força do povo sem violência.
No mundo também há marcas de movimentos pró não-violência. Em Myanmar, por exemplo, já várias manifestações pró não-violência marcaram o país, mas mais recentemente, a 1 de fevereiro de 2021, um Golpe Militar levado a cabo após as eleições que o Exército considerou “ilegítimas”, provocou a invasão do parlamento e detenção dos principais líderes políticos. A população saiu à rua, com cartazes e lenços vermelhos (cor do partido democrático que governava o país) e reproduzindo um gesto com três dedos que simboliza a resistência democrática. Trabalhadores e estudantes, todos se uniram em manifestações não violentas para lutar pela liberdade do país.
Na atualidade, estes princípios continuam a reger muitos movimentos contra a violência, como:
Black Lives Matter – movimento internacional que procura combater a violência policial e a desigualdade racial, promovendo a justiça social e a equidade racial.
Fridays for future – iniciativa global liderada por jovens que procuram pressionar governos e instituições a tomar medidas mais eficazes contra as alterações climáticas e a crise ambiental.
Myanmar Civil Disobedience Movement – movimento de resistência popular contra o golpe militar em Myanmar, que utiliza a desobediência civil para desafiar a repressão e restaurar a democracia.
Esses movimentos e marcos históricos demonstram que a resistência pacífica, mesmo diante de adversidades, pode ser uma ferramenta poderosa para alcançar mudanças significativas e duradouras.

O Dia Internacional dês Idoses celebra-se anualmente a 1 de outubro, tendo sido instituído em 1991 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Este dia tem como objetivo salientar a importância dês idoses na sociedade, ao mesmo tempo que sensibiliza para as questões do envelhecimento e para a necessidade de proteger e cuidar da população mais velha. Além disso, procura consciencializar para as oportunidades e desafios que o envelhecimento acarreta, promovendo também o carinho e o respeito peles idoses, muitas vezes esquecidos pela sociedade e pela família.
Este dia relembra do quão importante é honrar aqueles que vieram antes de nós e, mais do que nunca, de que precisamos de ser bondoses e educades, tratando-es com o respeito e carinho que merecem. Por vezes, é fácil subestimá-les. Esquecemo-nos de que por detrás de cada ruga, há uma história, por detrás de cada olhar, uma vida de experiências. Valoriza-es, pois são ês idoses que guardam o tesouro das tradições e dos ensinamentos que atravessam gerações.
Conversa com ês idoses sobre a tua família, as histórias que es fazem sorrir e os momentos que jamais devem ser esquecidos. Abraça-es, pois um abraço partilhado é um laço invisível que emana conforto e amor. E lembra-te: o tempo é um presente precioso. Visita-es, liga-lhes, mantém-te por perto, mesmo quando a vida parecer agitada demais. Pede-lhes conselhos, porque a sabedoria que eles carregam é um tesouro que só pode ser transmitido a quem se aproxima de coração aberto. E, de vez em quando, oferece também as tuas palavras. Às vezes, tudo o que ês idoses precisam é de alguém que ês lembre do quanto ainda são importantes.
Neste Dia dês Idoses, vamos fazer algo mais do que apenas celebrar. Vamos estar
presentes e mostrar que o amor e o respeito não têm idade.

O Dia Internacional do Direito à Blasfémia, data comemorada a 30 de setembro, tem como objetivo promover a liberdade de expressão, com ênfase particular no direito a criticar religiões e conceitos religiosos desprovidos de censura ou punição. Surgiu em resposta a eventos globais que envolveram muita tensão entre a liberdade de expressão e a sensibilidade religiosa, destacando-se pela defesa do direito de questionar, reprovar e até ridicularizar crenças religiosas.
O Dia Internacional do Direito à Blasfémia foi fundado em 2009 pela Center for Inquiry (CFI), uma organização que promove a razão, a ciência e a liberdade de pensamento. A data foi escolhida em referência ao caso das caricaturas do profeta Maomé, publicadas pelo jornal dinamarquês “Jyllands-Posten” no dia 30 de setembro de 2005. Essas caricaturas provocaram uma enorme controvérsia mundial, com protestos violentos em muitos países e uma forte divisão entre os defensores da liberdade de expressão e aqueles que se ofenderam com o conteúdo considerado blasfemo por muitos muçulmanos.
Deste modo, o propósito desta data consiste na liberdade de expressão já que este dia defende que todos têm o direito de expressar as suas opiniões sobre a religião, sejam elas positivas ou negativas. Defende-se que a crítica e a sátira de ideias, incluindo crenças religiosas, são partes essenciais de uma sociedade democrática e aberta. Combater as leis anti blasfémia (leis que são comumente usadas em todo o mundo para perseguir indivíduos por crenças e atividades que não estão de acordo com a opinião da maioria sobre tópicos religiosos e delicados e para suprimir criticas à religião) também se encontra entre um dos principais objetivos da criação deste dia, já que em muitos países, as leis de blasfêmia ainda são utilizadas para silenciar ou punir críticas à religião. Estas leis, presentes em nações com forte tradição religiosa, são vistas como uma ameaça à liberdade de expressão e aos direitos humanos.
Em síntese, esta data visa defender os direitos civis, o debate aberto e, principalmente, o avanço da ideia de que nenhuma crença ou doutrina deve estar acima da crítica pública.

O Dia Mundial da Contraceção celebra-se no dia 26 de Setembro. Esta comemoração iniciou-se no ano de 2007 e atualmente ocorre em 70 países tendo como principal objetivo a consciencialização da importância da Saúde Sexual e Reprodutiva, não deixando de fora também a importância da Saúde Física e Mental.
Estes objetivos são da competência do Estado, que têm de garantir a devida educação sexual, o acesso ao planeamento familiar, a assistência na interrupção de gravidez em condições equitativas e de segurança. Os Serviços de Saúde devem ser acessíveis, de qualidade e não discriminatórios.
Em 2009, a Assembleia da República dispôs que a educação sexual, incluindo nela a contraceção, deveria fazer parte obrigatoriamente das atividades escolares e do Projeto de Educação para a Saúde de cada escola, antes desta decisão, na década de 90, as escolas portuguesas já tinham dado uma contribuição muito importante para esta mudança, mesmo com bastantes limitações. Contudo, mesmo com estas medidas a sexologia (educação sexual) continua a ser muito desvalorizada na nossa sociedade.
A sexologia é a ciência que estuda o comportamento sexual humano, abrange não apenas o ato sexual em si, mas toda a sexualidade dentre os padrões de comportamentos numa sociedade, religião ou grupo e as influências sob o sujeito. Segundo Organização Mundial de Saúde (OMS), a sexualidade é considerada como sendo um dos indicadores de qualidade de vida, influencia a saúde física e mental, pensamentos, sentimentos e ações.
O objetivo central de um sexólogo é auxiliar as pessoas a compreender, explorar e lidar com questões ligadas à sexualidade. Para isso, ele investiga as origens dos problemas, identifica as causas das queixas apresentadas e propõe estratégias para superar os desafios psicológicos de cada indivíduo. Dessa forma, para aprofundar o estudo de cada caso relacionado à sexualidade humana, o sexólogo baseia-se em áreas como psicologia, história, sociologia, biologia e estudos de gênero.
Dentro da área da sexologia encontra-se a sexologia clínica. Esta abrange tudo o que o que sejam comportamentos sexuais humanos, tanto físicos como psíquicos, acompanhando o ser humano em todas as suas fases de vida. Na fase da infância/adolescência a atuação baseia-se num modelo de psicoeducação, melhorando a autoestima da criança/jovem, consciencializando-o para o conhecimento do próprio corpo e os cuidados que devem ser tomados, ensinando noções de saúde reprodutiva, evitando a gravidez não planeada e reduzindo os riscos de doenças sexualmente transmissíveis. Já na fase adulta, o trabalho passa por ajudar a trabalhar situações como as disfunções sexuais femininas/masculinas comuns.

A célebre frase “Não existe caminho para a paz, a paz é o caminho” reforça que a paz não é apenas mais um objetivo a ser alcançado, mas sim a base e o meio para construir uma sociedade mais justa e equilibrada.
A paz é essencial para o crescimento pessoal, a construção de comunidades resilientes e a criação de sociedades sustentáveis, além de ser crucial para a segurança e o desenvolvimento da humanidade. Embora todos reconheçam a sua importância, o mundo ainda enfrenta inquietudes, violência, abuso, estigma e conflitos, gerando medo, revolta, insegurança e desconfiança no dia a dia. A paz global permite que as nações trabalhem juntas para enfrentar desafios globais, como mudanças climáticas e pobreza, protegendo os Direitos Humanos. Sem paz, o progresso e a qualidade de vida são comprometidos, dificultando a construção de um futuro sustentável e próspero para o mundo.
O que podemos fazer para ajudar a construir a paz?
- Agir, sendo ume “ativista da paz” (votando, praticando voluntariado, cantando uma música, utilizando as redes sociais para divulgar mensagens de Paz e tolerância, criando espaços de partilha no nosso grupo dê amigues ou na nossa comunidade);
- Investir na Paz pessoal;
- Defender e respeitar os valores da Justiça, da Igualdade e os restantes Direitos Humanos;
- Desenvolver sensibilidade e conhecimento sobre a diversidade cultural;
- Estabelecer relações construtivas com pessoas diferentes;
- Desenvolver as nossas competências socioemocionais, sobretudo a regulação emocional, a empatia e o pensamento crítico;
- Resolver problemas e conflitos de forma não violenta;
- Dialogar e Cooperar;
- Investir na nossa Resiliência, Coragem e Liderança;
- Aceitar o erro (e os pedidos de desculpa);
- Expressar gratidão;
- Fomentar a Criatividade;
- Alimentar o compromisso com a paz e a solidariedade, apoiando estruturas e entidades;
- Contactar com a natureza e proteger o meio ambiente;
- Investir no autocuidado.
Ao contrário do que possamos pensar, o ser humano não é instintivamente violento. Não prefere, de forma inata, comportamentos violentos. Pelo contrário, existe uma tendência natural para adotar comportamentos pró-sociais (como fazer o bem e ajudar ê outre). A guerra não é inevitável! Tal como aprendemos comportamentos violentos, podemos aprender comportamentos não violentos.

Em 2010, a Associação Mundial da Saúde Sexual (WAS) convocou diversas associações para que, a partir desse ano, se celebrasse o Dia Mundial da Saúde Sexual, no dia 4 de setembro. Esta iniciativa surgiu com o objetivo de promover a consciencialização para o tópico, a uma escala mundial. Desde então, o Dia Mundial da Saúde Sexual já foi celebrado em mais de 60 países, através de uma grande variedade de atividades, como conferências e exibições de arte relacionadas com o tema.
“A sexualidade é ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual.” (OMS, 1992).
A Associação Americana de Psicologia (APA) estipula que a saúde sexual refere-se ao bem-estar físico, emocional, mental e social de todes os indivíduos nas suas relações sexuais. Para assegurar o exercício de uma vida sexual saudável, existe a necessidade da concretização de um conjunto de condições. De entre estas constam: o direito à experiência sexual como pretendida pela pessoa; a educação social para a vida sexual; o livre acesso a métodos contracetivos; etc.
Consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, a saúde sexual e reprodutiva é uma componente essencial dos direitos universais, que assegura o bem-estar físico e mental de todes os indivíduos. Os direitos sexuais asseguram a recetividade de uma vida sexual livre, prazerosa e ausente de atos discriminatórios e de violência; e os direitos reprodutivos consagram a livre vontade de tomar decisões individuais, frequentemente associada aos cuidados de planeamento familiar e assistência em serviços especializados em saúde sexual e reprodutiva.
Neste âmbito, a carta da Federação Internacional de Planeamento Familiar (IPPF) estipulou vários direitos, como: o direito à vida, que dita que nenhuma pessoa deve correr risco consequente da inacessibilidade de serviços; o direito à liberdade de pensamento, que vincula o direito à liberdade de pensamento e expressão sexual; ou o direito à liberdade de participação política, sob o qual os governos podem reconhecer os assuntos de matéria sexual e reprodutiva como sendo assuntos de ordem prioritária.
Queres entender de forma mais detalhada os direitos que te assistem em relação à saúde sexual e reprodutiva? Consulta aqui: https://apf.pt/informacao-tematica/sexualidade/ )

Dia Mundial da Ajuda Humanitária
A 19 de agosto celebra-se o Dia Mundial da Ajuda Humanitária. Existem milhões de pessoas em todo o mundo expostas a múltiplas dificuldades que as impedem de viver com dignidade e de ter pleno acesso aos seus direitos à alimentação, ao abrigo, aos cuidados de saúde e à proteção. Na maioria destas situações, os trabalhadores humanitários estão presentes e devotam o seu tempo e esforço para ajudar os outros. Hoje, celebramos a sua dedicação e solidariedade.
A ajuda humanitária representa um compromisso pessoal significativo. A atuação de mulheres e homens corajosos causa um impacto positivo evidente na vida daqueles que beneficiam da sua coragem, determinação e empatia. As funções de um trabalhador humanitário são variadas e podem incluir a prestação de assistência a vítimas de guerra, desastres naturais ou outras questões complexas.
A atuação humanitária da UE é guiada por quatro princípios humanitários internacionais: Humanidade, Neutralidade, Imparcialidade e Independência. A UE é defensora ativa da proteção do espaço humanitário. Desde o conflito na Síria até à insegurança alimentar no Sahel, a UE e os seus Estados-Membros mantêm uma resposta e assistência humanitária imediatas. Para demonstrar este compromisso, as instituições da UE e os seus Estados-Membros são os maiores doadores de ajuda humanitária no mundo. A ajuda humanitária financiada pela UE é oferecida em parceria com agências das Nações Unidas, organizações internacionais e ONGs. A assistência humanitária da UE abrange domínios de intervenção como a alimentação e a nutrição, o abrigo, os cuidados de saúde, a água e saneamento e a educação em situações de emergência.

Dia Internacional do Animal Abandonado
O Dia Internacional do Animal Abandonado é celebrado todos os anos no terceiro sábado de agosto desde 1992. Por esta razão, dia 17 de agosto de 2024, celebra-se o Dia Internacional do Animal Abandonado.
Este dia foi criado com o intuito de conscientizar a sociedade sobre este tema, de maneira a incentivar a adoção de animais abandonados, mostrar os benefícios do cuidado adequado com os animais domésticos e contribuir para a diminuição do abandono animal. Nesta data, é comum acontecerem eventos nos centros das cidades portuguesas que promovem a adoção de animais. Centenas de animais abandonados são transportados para locais públicos por canis e associações com o objetivo de que as pessoas se possam afeiçoar a um animal e levá-lo para casa.
Sabias que o abandono de um animal de companhia é, desde 2014, um crime previsto e punido pelo Código Penal português? De acordo com a lei, quem abandonar um animal de companhia, pondo em perigo a sua alimentação, os cuidados que lhe são devidos ou até a sua vida, pode ser punido com uma pena de prisão até 8 meses ou com uma coima de valores entre 2.000,00 € e 7.500,00 €. Portugal continental tem mais de 930 mil animais errantes, entre os quais 830.541 gatos e 101.015 cães, segundo dados do primeiro Censo Nacional de Animais Errantes divulgado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
Algumas formas para podermos ajudar estes animais abandonados são por exemplo:
- alimentar os animais da rua dando-lhes comida e água;
- verificar se o animal que encontramos sozinho tem dono
- fazer campanhas de adoção;
- cuidar da saúde dos animais da rua;
- criar um lar temporário.
Curiosidade: Em 2017, foi desenvolvido na UTAD o site ADDAF, uma plataforma online que facilitava a adoção de animais. O site já não se encontra ativo mas a UTAD continua a apoiar causas desta natureza.
Contactos de ajuda para animais abandonados:
Centro de Recolha e Protecção Animal do Vale do Douro Norte (vila real): 259 351 656
A Associação Animais de Rua (Porto): 760 300 161
Casa dos Animais de Lisboa: 21 817 2300