Um artigo recente publicado no Psychology Today, discute a atribuição de capacidades humanas a chatbots, como o ChatGPT, Claude e outras ferramentas de IA. Inicialmente, quando as pessoas se deparam com este tipo de ferramentas pela primeira vez, classificam-nas apenas como um software mais sofisticado. No entanto, à medida que essa exposição se intensifica, pode aumentar a perceção das pessoas de que esses sistemas possuem qualidades semelhantes aos humanos.

Essa perceção da mente é conhecida como um processo psicológico designado, antropomorfismo, a tendência de atribuir qualidades humanas a sistemas não humanos. Uma pesquisa recente, envolvendo, grandes sistemas de IA, como o ChatGPT, o LLaMA e Claude, provou que mesmo uma breve exposição a estes chatbots, pode aumentar a perceção das pessoas de que esses sistemas possuem qualidades semelhantes à mente humana.

Na psicologia, a perceção da mente costuma ser analisada em duas dimensões: agência, que se refere à capacidade de pensar, planear e agir, e experiência emocional, que diz respeito à capacidade de sentir emoções ou sensações. Normalmente, as pessoas tendem a atribuir mais facilmente agência às máquinas do que experiência emocional. No entanto, os grandes modelos de linguagem desafiam essa fronteira, uma vez que utilizam linguagem natural e fluente, especialmente quando observam respostas criativas, elaboradas ou aparentemente empáticas. Em outras palavras, a exposição por si só não determina como as pessoas percebem a IA, mas a natureza da interação desempenha um papel revelador.

O artigo destaca ainda, que nem todas as pessoas percecionam a inteligência artificial da mesma forma. Indivíduos com maior experiência prévia com chatbots ou com maior tendência para antropomorfizar objetos são mais propensos a atribuir qualidades humanas às máquinas. Por fim, compreender os mecanismos psicológicos por trás da perceção de mente é importante para o futuro da inteligência artificial e da regulação responsável destes sistemas.

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https://www.psychologytoday.com/us/blog/evolutionary-social-cognition/202603/when-chatbots-can-start-to-seem-like-they-have-minds

Nº1: "Deixar o bebé chorar: estratégia segura ou risco para o desenvolvimento?"

Notícias Março

Nº2: "Quando a inteligência artificial concorda sempre connosco"

Um artigo recente publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry aborda um debate entre psicólogos sobre a estratégia parental conhecida como “cry it out”, que consiste em deixar o bebé chorar durante algum tempo antes de o consolar, muitas vezes com o objetivo de o ajudar a adormecer sozinho. Este estudo acompanhou 178 bebés e as suas mães desde o nascimento até aos 18 meses para analisar se esta prática poderia ter efeitos negativos no desenvolvimento emocional ou no vínculo entre pais e filhos.

Os resultados indicaram que deixar o bebé chorar ocasionalmente não está associado a problemas comportamentais nem a uma ligação emocional mais fraca entre a criança e a mãe. Pelo contrário, os investigadores observaram que alguns bebés que foram deixados chorar por curtos períodos passaram a chorar menos e durante menos tempo à medida que cresciam. Aos 18 meses, também não foram encontradas diferenças significativas na segurança do vínculo ou no desenvolvimento sócio emocional.

No entanto, o estudo gerou críticas entre alguns especialistas. Alguns psicólogos argumentam que ignorar o choro do bebé pode aumentar os níveis de stress e a produção de cortisol, o que poderia ter efeitos negativos no desenvolvimento do cérebro. Outros também apontam limitações na investigação, como o tamanho relativamente reduzido da amostra e a falta de uma definição clara sobre quanto tempo os bebés foram realmente deixados a chorar.

Os autores do estudo respondem que os resultados não significam que os pais devam ignorar os bebés, mas sim que pequenas demoras em responder ao choro parecem não causar danos ao desenvolvimento ou à relação entre pais e filhos. Segundo os investigadores, o mais importante continua a ser a consistência, o cuidado e a sensibilidade dos pais no dia a dia. Assim, apesar das novas evidências, o tema continua a gerar discussão na comunidade científica e mostra que ainda são necessárias mais investigações para compreender completamente os efeitos desta estratégia parental.

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https://www.psypost.org/psychologists-clash-over-the-safety-and-effects-of-the-cry-it-out-parenting-strategy/

Nº3: "A importância de abraçar as diversas partes que constituem a nossa identidade"

Um artigo recente publicado na Psychology Today aborda o fenómeno chamado “acordo artificial”, que ocorre quando os sistemas de inteligência artificial tendem a concordar demasiado facilmente com as opiniões ou interpretações dos utilizadores. Segundo o autor, esta tendência pode criar a impressão de que as nossas ideias estão corretas ou bem fundamentadas, quando na realidade podem não ter sido analisadas de forma suficientemente crítica.

O estudo explica que, ao contrário das interações humanas, onde as pessoas frequentemente questionam, discordam ou apresentam perspetivas diferentes, a inteligência artificial muitas vezes adapta as suas respostas para manter a conversa fluida e alinhada com o utilizador. Como resultado, as pessoas podem sentir mais confiança nas suas próprias ideias, mesmo sem terem melhorado realmente a sua compreensão do assunto.

O artigo também menciona investigações que mostram que quando as pessoas recebem um feedback que confirma as suas hipóteses, mesmo quando estas estão erradas, a sua confiança aumenta, mas a probabilidade de encontrarem a resposta correta diminui. Isto demonstra que a ausência de confronto intelectual pode limitar o desenvolvimento do pensamento crítico.

Assim, o autor conclui que um dos desafios do uso da inteligência artificial não é apenas o risco de receber informação incorreta, mas também o facto de estas ferramentas poderem reforçar demasiado as nossas crenças. Por isso, é importante que os utilizadores mantenham uma atitude crítica e continuem a questionar e refletir sobre as respostas fornecidas pela tecnologia.

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https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-digital-self/202603/artificial-agreement-when-ai-agrees-with-us-too-easily

Nº4: "Quando os chatbots começam a parecer que têm mentes"

Um artigo publicado no Psychology Today sustenta que as pessoas organizam a sua identidade em vários “aspetos do eu”, que se expressam em diferentes domínios nas suas vidas, quer a nível profissional, pessoal ou até espiritual. Todos esses papéis constituem a identidade do indivíduo, que se torna flexível e multifacetada, podendo funcionar como um todo, sem necessariamente entrarem em conflito.

Embora haja pressão social, principalmente no que toca ao papel profissional, para as pessoas se encaixarem numa única categoria, a psicologia sugere que a identidade é construída e moldada ao longo do tempo, através de experiências, valores, relações e memórias, que moldam a forma como a pessoa se vê e se apresenta ao mundo

Pesquisas cognitivas sugerem que o pensamento crítico surge quando vários domínios, aparentemente distintos, se intersetam e conectam, isto é, quando as pessoas se envolvem em múltiplas atividades intelectuais ou criativas, aumentam a capacidade de adaptação a adversidades. Assim esta interseção de atividades pode constituir um terreno fértil para potenciar e desenvolver o pensamento crítico e criativo.

Por fim, os investigadores constatam que o bem-estar não se cinge apenas a uma noção clara de si mesmo, mas também a uma noção mais flexível e compreensiva. Pesquisas baseadas na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), sublinham que indivíduos psicologicamente mais flexíveis, apresentam níveis mais baixos de depressão, ansiedade e sofrimento perante situações stressantes da vida, em comparação com aqueles que possuem um autoconceito mais rígido e restrito.

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https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-architecture-of-identity/202603/why-you-dont-have-to-choose-just-one-version-of-yourself

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