Até que ponto a busca incessante pela felicidade é benéfica?

Vivemos numa era em que a felicidade parece um objetivo de vida, uma meta a alcançar e a exibir. Mas até que ponto essa busca incessante é, de facto, benéfica?

Quanto mais nos concentramos em alcançar a felicidade ou atingir um suposto “patamar ideal” mais propensos ficamos a sentir frustração e insatisfação. A pressão para sermos constantemente felizes gera ansiedade e impede-nos de valorizar momentos simples e genuínos de alegria.

Por exemplo, alguém que aprecia um pôr do sol mas se questiona se está “feliz o suficiente” acaba por não viver plenamente esse instante. Criamos, assim, um sofrimento desnecessário, fruto da discrepância entre o que sentimos e o que acreditamos dever sentir.

Muitas vezes, pressionamo-nos para sermos tão ou mais felizes do que os outros, ou para parecermos constantemente bem. Contudo, essa comparação constante reforça a insatisfação. Quando medimos a nossa felicidade pela dos demais, focamo-nos nos aspetos negativos e esquecemo-nos de apreciar o presente, abrindo espaço para a dúvida e a ansiedade.

A verdadeira felicidade não significa sentir-nos bem o tempo todo, mas viver emoções que façam sentido, em sintonia com os nossos valores e objetivos pessoais, mesmo que nem sempre sejam agradáveis (como a raiva, a indignação ou a tristeza). Sentir o que é autêntico, em vez de o que é socialmente esperado, é sinal de equilíbrio emocional e de bem-estar duradouro.

Fingir felicidade, especialmente em contextos profissionais, é mais comum do que parece. Contudo, esta “atuação emocional” pode gerar dissonância cognitiva - um conflito entre o que sentimos e o que demonstramos - que aumenta o stress e conduz à exaustão emocional.

Em contrapartida, definir expectativas realistas sobre o que nos traz felicidade ajuda a reduzir frustrações e arrependimentos. Aceitar que nem sempre estamos bem, e que as emoções negativas também fazem parte da vida, conduz a uma vivência emocional mais equilibrada.

Distinguir o que realmente necessitamos (como descanso, pertença, sentido de propósito) daquilo que apenas desejamos (como status, aprovação ou prazer imediato) é essencial para compreender o que, de facto, nos traz satisfação a longo prazo. Ser honesto connosco próprios sobre o que sentimos é, portanto,um passo fundamental para o bem-estar psicológico.

Para saber mais visita:

https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-venn-diagram-life/202510/the-hidden-cost-of-happiness

" Será que a procura pela felicidade nos está a deixar infelizes?"

Notícia nº4

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