A propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado esta sexta-feira, a Fixando, uma plataforma de referência na contratação de serviços online em Portugal, realizou uma análise sobre a evolução da procura por serviços de psicologia no país. Para isso, a empresa conduziu um inquérito a 1 250 psicólogos registados na plataforma, revelando um panorama preocupante no que diz respeito ao acesso e à percepção da saúde mental em Portugal.
De acordo com os dados obtidos pela Fixando, a procura por psicólogos sofreu uma queda significativa de 29% em 2025, em comparação com o ano anterior. Apesar desta diminuição na procura, a capacidade de resposta dos profissionais aumentou, com 63% dos pedidos a serem atendidos, um avanço em relação aos 54% registrados em 2024. Este contraste suscita preocupações sobre a acessibilidade e a utilização dos serviços de saúde mental, indicando que, mesmo com um aumento na capacidade de atendimento, menos pessoas estão a procurar ajuda.
Entre as principais motivações que levam os portugueses a buscar terapia, as seguintes se destacam: Redução da ansiedade (49%), Procura pela felicidade (44%) e Melhoria da autoestima e das relações interpessoais (38%)
Os sintomas mais frequentemente relatados pelos indivíduos incluem ansiedade (47%), tristeza e depressão (40%), irritação (25%) e sentimentos de isolamento (20%). Atualmente, o preço médio de uma sessão de psicologia situa-se em torno de 42€, o que representa um aumento de 4€ em relação a 2024. Este aumento de custos pode ser um fator que contribui para a diminuição da procura, especialmente em tempos de incerteza económica.
No inquérito realizado aos profissionais de psicologia, 83% dos participantes caracterizaram o acesso aos cuidados de saúde mental em Portugal como “mau” ou “muito mau”. As principais razões citadas para esta situação incluem:
- Falta de recursos financeiros para custear as consultas (100%)
- Escassez de profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS) (67%)
- Estigma associado à saúde mental que ainda persiste na sociedade (67%)
- Falta de conhecimento sobre a disponibilidade de serviços de saúde mental (33%)
Este cenário sublinha a necessidade urgente de uma abordagem mais eficaz em termos de políticas públicas, educação e sensibilização para que todos possam ter acesso a cuidados de saúde mental adequados e de qualidade.
Ver mais aqui: Dia Mundial da Saúde Mental: 83% dos psicólogos consideram o acesso em Portugal “mau ou muito mau”
