Introdução

O Natal, antes associado à espiritualidade, solidariedade e família, tornou-se um fenómeno global de consumo, onde a celebração simples deu lugar a um dos períodos comerciais mais lucrativos do ano. A publicidade e as redes sociais impõem uma ideia de felicidade ligada a compras e presentes, contrariando o significado simbólico da data.

O Natal como Produto do Capitalismo

A lógica capitalista apropriou-se dos símbolos culturais, transformando o Natal numa oportunidade de consumo, onde família e generosidade são usados apenas para estimular compras (Baudrillard, 1970). A publicidade e as redes sociais, por exemplo, reforçam a ideia de que amor e felicidade se demonstram através de presentes, alimentando a crença de que oferecer substitui o afeto (Fromm, 1956;Schwartz, 2004).

O Natal como Produto do Capitalismo

Este materialismo gera tensão emocional e reduz o bem-estar, entrando em conflito com valores de união. O foco excessivo nas compras reduz aspetos como a atenção plena, o senso de contentamento e o estado de imersão profunda, elementos essenciais para viver a época festiva com tranquilidade e presença. Quanto maior a pressão para consumir, menor a capacidade de aproveitar o lado emocional do Natal (Isham et al., 2022).

Perspetiva psicológica

A mercantilização do Natal ativa sistemas de recompensa ligados ao prazer imediato das compras, reforçando o ciclo de consumo (Faris et al., 2021). Contudo, esse impulso é acompanhado por stress crescente, alimentado pela comparação social e pelas expectativas familiares, visíveis nas redes digitais (Baek et al., 2019). Esta tensão entre a gratificação momentânea e a pressão financeira ou emocional gera ansiedade e compromete o bem-estar subjetivo durante a época festiva (Tatzel, 2018).

Perspetiva psicológica

Para além destes efeitos imediatos, a compra em massa reduz a capacidade de experienciar estados de envolvimento profundo e de presença emocional (Isham et al., 2022). Quando o foco se direciona para o consumo e validação externa, torna-se árduo usufruir de momentos de conexão e tranquilidade, intensificando a sensação de exaustão tanto físico como emocional (Isham et al., 2022).

Resistências e alternativas

Face a este impacto e com o objetivo de travar esta onda de consumo excessivo, têm surgido movimentos que pretendem trazer de volta a magia da época e tudo o que nela verdadeiramente importa (Isham et al., 2022). Reduzir a comparação social e, consequentemente, diminuir a ansiedade e o “medo de ficar de fora” (FOMO) é algo importante a ter em conta.

Resistências e alternativas

Através da oferta de prendas simples, mas com significado intencional e emotivo, bem como da promoção de atividades que fomentem o espírito de união e partilha (como convívios festivos de consumo consciente, onde a presença de cada pessoa é mais valorizada do que aquilo que se oferece), torna-se possível recuperar o flow e o bem-estar, contrariando a pressão consumista típica da época (Isham et al., 2022)

Conclusão

Os dados recentes mostram que o materialismo e o elevado consumo no Natal roubam a presença física e emocional, antigamente tão característica da época (Isham et al., 2022). Neste sentido, torna-se urgente observar os comportamentos, repensar expectativas, reduzir a pressão imposta em dar ou receber prendas exorbitantes, e retomar a priorização de relações que permitam um Natal mais leve, humano, empático e alinhado com aquilo que realmente gera bem estar intrínseco e genuíno (Isham et al., 2022).


"Natal e Capitalismo"

Referências

Baek, T. H., Kim, J., & Yu, J. (2019). Social comparison and impulse buying on social media: The mediating role of envy and the moderating role of self-esteem. Journal of Retailing and Consumer Services, 47, 267–275.

Baudrillard, J. (1970). La société de consommation. Gallimard.

Faris, R., Al-Dabbagh, N., & Al-Haddad, A. (2021). Dopamine-driven consumption: Investigating the neural basis of reward anticipation in online shopping. Neuroscience Letters, 743, 135547.

Fromm, E. (1956). The art of loving. Harper & Row.

Schwartz, B. (2004). The paradox of choice: Why more is less. Ecco.

Tatzel, M. (2018). The dark side of Christmas: Financial stress and consumer well-being during the holiday season. Journal of Consumer Affairs, 52(3), 575–595.

Isham, A., Verfuerth, C., Armstrong, A., Elf, P., Gatersleben, B., & Jackson, T. (2022). The problematic role of materialistic values in the pursuit of sustainable Well-Being. International Journal of Environmental Research and Public Health, 19(6), 3673. https://doi.org/10.3390/ijerph19063673







Psicologia

Divulgamos psicologia com seriedade e paixão.

Contactos

nupsi@aautad.pt

© 2025. All rights reserved.

Presidente do NUPSI, Catarina Morais: 938109943

Vice-Presidente do NUPSI, Soraia Gomes: 925733239