A assexualidade é uma orientação sexual caracterizada pela baixa ou ausência de atração sexual por outras pessoas. Este conceito não deve ser entendido de forma rígida, mas antes como um espectro que abrange uma ampla variedade de experiências e identidades. Além disso, é considerado um termo-guarda-chuva que inclui diferentes nuances de ausência de atração sexual (Winer, 2024).

Historicamente, a ausência de desejo sexual foi frequentemente interpretada como uma patologia. No entanto, estudiosos como Bogaert (2006) argumentam que a assexualidade não deve ser automaticamente vista como uma condição médica ou doença, mas sim como uma legítima orientação sexual que reflete a diversidade da experiência humana.

Pessoas assexuais enfrentam frequentemente preconceitos que as desumanizam, sendo vistas como “não totalmente humanas”. A assexualidade é frequentemente alvo de medicalização ou tratada como uma condição problemática, refletindo uma falta de compreensão. Esses estereótipos e incompreensões estão presentes tanto na sociedade em geral como dentro de comunidades LGBTQIA+ (Winer, 2024).

Vivemos numa sociedade fortemente sexualizada, onde a ausência de atração sexual é frequentemente considerada “estranha” ou fora do comum. A assexualidade é, por vezes, interpretada como uma fraqueza, deficiência ou falha, porque desafia as normas sociais dominantes relacionadas à sexualidade. A rejeição da assexualidade está profundamente ligada à violação dessas expectativas sociais (Grigoropoulos, 2024).

Investigação recente revelou que o preconceito contra pessoas assexuais está associado a fatores como religiosidade, orientação política conservadora e adesão a normas sociais tradicionais. Estes elementos contribuem para o reforço de estereótipos e discriminação contra indivíduos que se identificam como assexuais (Grigoropoulos, 2024).

Bogaert (2006) faz uma distinção clara entre orientação sexual e disfunções sexuais clínicas, salientando que uma disfunção só deve ser considerada patológica quando provoca sofrimento significativo ou interfere de forma relevante no funcionamento diário do indivíduo. A ausência de desejo sexual, por si só, não é sinónimo de sofrimento psicológico.

A sexualidade humana é extremamente diversa, e muitas pessoas experienciam a assexualidade de forma saudável, sem qualquer impacto negativo no seu bem-estar emocional ou psicológico (Bogaert, 2006). O sofrimento associado à orientação sexual não decorre da orientação em si, mas da estigmatização e discriminação social que frequentemente a acompanham, sendo esses fatores os principais responsáveis pelo impacto negativo na saúde mental (Grigoropoulos, 2024).

A assexualidade não é um fenómeno recente, embora tenha ganho maior visibilidade nos últimos anos. O aumento da visibilidade da assexualidade foi impulsionado pelo surgimento da internet e pela criação da Asexual Visibility and Education Network (AVEN) em 2001, que desempenhou um papel crucial na educação e sensibilização sobre esta orientação sexual (Grigoropoulos, 2024).

Historicamente, o estudo da sexualidade humana foi conduzido com a suposição de que todas as pessoas experimentam desejo sexual, o que resultou na invisibilização das identidades assexuais. Este viés académico contribuiu para a marginalização de indivíduos assexuais e para a falta de reconhecimento das suas experiências únicas dentro do espectro da sexualidade humana (Grigoropoulos, 2024).


"Dia Internacional da Assexualidade"

Referências

Bogaert, A. F. (2006). Toward a conceptual understanding of asexuality. Review of General Psychology, 10(3), 241–250. https://doi.org/10.1037/1089-2680.10.3.241

Grigoropoulos, I. (2024). Examining the social tabooisation of asexuality: The underpinnings of anti-asexual bias. Sexuality Research and Social Policy, 21, 1432–1445. https://doi.org/10.1007/s13178-023-00884-2

Winer, C. (2024). Understanding asexuality: A sociological review. Sociology Compass, 18(6), e13240. https://doi.org/10.1111/soc4.13240

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