Um estudo internacional recentemente publicado na revista Nature Mental Health demonstrou que a desigualdade económica existente numa sociedade pode ter impacto direto no desenvolvimento cerebral das crianças, independentemente do nível de rendimento das suas famílias.
A investigação, conduzida por equipas do King’s College London, da Universidade de Harvard e da Universidade de York, analisou dados de mais de 10.000 jovens norte-americanos integrados no Adolescent Brain Cognitive Development Study. Através de exames de ressonância magnética, os investigadores observaram que crianças que crescem em contextos de maior desigualdade apresentam redução da superfície cortical e alterações na conectividade cerebral, especialmente em áreas associadas a funções cognitivas superiores, como a memória, a atenção e a regulação emocional.
Estas modificações estruturais foram ainda associadas a piores indicadores de saúde mental, incluindo níveis mais elevados de ansiedade e depressão. De acordo com os autores, os efeitos observados decorrem sobretudo das disparidades sociais mais amplas, e não apenas da condição económica individual, sugerindo que a desigualdade cria um ambiente social adverso que interfere com o neurodesenvolvimento e o bem-estar psicológico das crianças.
Os resultados deste estudo reforçam a importância de políticas públicas orientadas para a redução das desigualdades sociais, sublinhando que a equidade económica pode constituir um fator protetor essencial para a saúde mental e o desenvolvimento infantil.
Para saber mais visita: https://www.theguardian.com/science/2025/sep/30/study-links-greater-inequality-to-structural-changes-in-childrens-brains?utm_source=chatgpt.com
